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21/02/2012

galeria entrevista Sílvia Silva

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Sílvia Silva.


"Eu sou uma rapariga, daquelas que oscila entre a vida adulta de uma mulher e a mente sonhadora de uma criança".

A Sílvia nasceu no Algarve, tem raízes e memórias passadas junto a uma alfarrobeira especial, mas viveu grande parte da sua vida junto ao mar em Esmoriz e nos úlitmos anos moveu-se ao longo da mesma costa até à Praia da Aguda.
Em 2011 experimentou uma forma intensa de controlar a própria vida: passou de um emprego remunerado para ficar em casa a tentar desenvolver os seus projetos e assumiu os riscos que estas escolhas envolvem, sem planos, apenas com ideias.
É verdadeiramente apaixonada por chocolate e pelo seu blogue Raparigas como nós, que é também o nome de uma marca que tem uma loja chamada choose your own head, uma loja de chapéus, gorros e turbantes, para quem gosta de escolher a sua própria cabeça! Outras coisas será no futuro ao sabor das ideias e das vontades!
A Sílvia participa com artigos no Trendalert e tem um novo projeto chamado Quarto de mudança, um sítio para todas as pessoas que gostam de blogues, fotografia, comércio eletrónico e comunicação web.
Admira as pessoas que se envolvem, que se preocupam com a política de um ponto de vista comunitário e local e tentam mudar as coisas. Acha que não é uma dessas pessoas mas está a pensar em mudar isso.

raparigascomonos.com
shop.raparigascomonos.com
facebook.com/raparigascomonos
quartodemudanca.com
facebook.com/quartodemudanca


As "Raparigas como nós" são raparigas comuns ou raparigas diferentes das outras?
R: São raparigas iguais a elas próprias. A identificação com a expressão pode acontecer com os mais variados géneros de raparigas (e rapazes) desde que saibam quem são!

Já descobriu se gosta ou não do facebook? E de ver televisão?
R: Já! O facebook, acho que já o dominei. Houve uma altura em que confesso que me irritava um pouco, porque quando dava por mim estava a ler coisas, comentários e pessoas que não tinham qualquer interesse e só me faziam perder tempo. Foi apenas uma questão de dominar as ferramentas existentes e arrumar a ‘casa’.
A televisão, essa já perdeu há muito tempo a batalha para a Internet. Já vivi durante 6 meses sem qualquer televisão e não me fez falta nenhuma. Gosto de controlar o que vejo e leio, e a televisão, para além de produzir conteúdos cada vez piores, tem uma abordagem de domínio perante o telespetador. Eu, já saí desse filme há muito!

O que é que a fez tomar a decisão de trocar um emprego remunerado por um futuro incerto?
R: Esse não é um processo assim tão simples como pode parecer. Para além de que não se resumiu à questão do emprego remunerado, mas sim a uma sensação de inadequação desde os tempos da faculdade. Sempre me senti um peixe fora de água, mas nunca soube qual era o meu aquário! Achei que era capaz de fazer tudo na vida (menos ser professora ou trabalhar na saúde), mas nunca tive qualquer certeza sobre o meu caminho. Fui vivendo as coisas boas que me surgiam e deixando para segundo plano aquilo que menos me agradava. Aguardando ansiosamente por uma qualquer catástrofe natural ou por alguém que viesse resolver o meu problema por mim.
Sabem aquelas histórias que dão na televisão de alguém que está no supermercado a comprar couves e vêm ter com ela dizer-lhe que vai ser o próximo Leonardo da Vinci? Era isso que eu esperava para mim. Nunca aconteceu. Até que um dia percebi que tinha mesmo de ser eu a fazer alguma coisa. E fiz. Foi e ainda é difícil!



Quando passou a trabalhar em casa é que se sentiu realmente cansada. É um cansaço diferente, este que se ganha em casa?
R: A minha avó nunca trabalhou fora de casa. Mas eu sempre dizia que a minha avó não trabalhava. No entanto nunca a vi sentada a ver televisão ou a apanhar sol para ficar morena. Estava de facto sempre a trabalhar, era o que era. Agora, depois de todos estes anos percebi.
A casa é um poço de trabalho. É interminável. Com filhos então, é talvez dos trabalhos com horários mais alargados que se pode ter. Para além de que não há intervalos para almoço (aliás, em casa preferimos não almoçar porque só o trabalho que isso dá, acrescenta mais uma hora extra ao horário), não há pausas para o café, nem risota com os colegas. Agora a sério, é muito difícil coordenar trabalho em casa com filhos (em casa). Mesmo. Os filhos requerem toda a nossa atenção e dedicação e não sobra muito tempo para nos concentrarmos em produzir o que quer que seja. É uma verdadeira luta muito mais exigente do que a procrastinação diária de muita gente nos escritórios das empresas.

Descobriu também que ter trabalho não é sinónimo de dinheiro; ter trabalho não é ter um emprego! Quer comentar?
R: É simples. Podemos trabalhar muito sem receber qualquer compensação monetária pelo nosso esforço. Aliás, qualquer pessoa que já experimentou trabalhar por conta própria ou iniciar um negócio/projeto, sabe perfeitamente que até obter reconhecimento e remuneração pelo mesmo, há um longo caminho a percorrer que é geralmente solitário e ingrato (ou não, há outras formas de compensação). É exatamente a lógica contrária de quem arranja um emprego em que um acordo num papel lhe permite, à partida, ser recompensado independentemente do trabalho produzido.


Tinha o sonho de ser atriz. Já não tem?
R: O meu sonho não era o da atriz, mas sim o do teatro. Fazer teatro. Para mim é diferente. O teatro pode ser tudo e qualquer lugar. Pode ser música, palavra, dança ou silêncio. Pode ser texto ou imaginação. É magia. Costumo dizer que saltei para fora da caixa no momento em que pisei o palco do cine-teatro em Santa Maria da Feira. E foi. A minha perspetiva da vida, da emoção e das pessoas mudou e nunca mais voltou a ser a mesma. É uma paixão muito genuína e continua viva dentro de mim. Não sei bem como explicar isto, mas não tem nada a ver com ser a próxima Sophia Loren, mas mais com ser uma espécie de Charlie Chaplin incompreendido (:D).
A minha grande alegria no teatro é que dizem que é a profissão em que a idade não atrapalha! Espero que sim...

Os turbantes, gorros e chapéus como é que surgiram?
R: Os turbantes sempre foram uma paixão. Desde sempre usei lenços na cabeça em forma de turbante. Achava e acho o máximo, mesmo que o resto da população apenas ache esquisito ou que tenho alguma doença. Os gorros e chapéus também. Aliás o blogue nasceu por causa dos gorros e não o contrário. A forma como surgiram foi muito semelhante à maioria das pessoas, tinha um na cabeça num jantar de amigos, quando alguns dos rapazes começaram a tecer comentários sobre o mesmo (comentários de gozo, diga-se) até que um deles acabou por me desafiar a fazer um para oferecer à namorada no Natal. Daí até colocar o primeiro na Internet passou pouco tempo e depois fui sempre recebendo encomendas e pedidos e fui fazendo, até hoje. Já os turbantes ninguém me pediu para os fazer (risos). Fui eu mesma que achava que ia fazer um grande favor ao mundo. Eu adoro. Não estou preocupada se vendo muitos ou não. Vou continuar!




E o recente Quarto de mudança?
R: É o que eu chamo um projeto ‘flash’! Era uma ideia que já me tinha passado pela cabeça, mas nunca tinha pensado muito nela. Até que comecei a perceber que, para quem tem um blogue e quer fazer algo mais consistente, é essencial ter uma imagem própria e distanciar-se dos templates standard. Para além disso, já há 3 anos que crio e mantenho lojas online e sei o trabalho que isso dá e as dificuldades que se sentem. Até que um dia disse ao meu amigo Pedro “ah e tal e se...” e ele respondeu prontamente “estava a ver que nunca mais perguntavas”. Daí até estarmos online passaram-se perto de 3 semanas. Para mim é uma grande vantagem porque estou ao lado de duas pessoas com as quais sei que também vou aprender muitas coisas que me interessam. Estou a adorar e acho que vai ser muito bom!
A Sílvia fala muitas vezes em organização e concentração. Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Pois, isto para mim é que já não é nada orgânico nem simples. Não tenho qualquer tipo de espírito de filofax humano. Mesmo!
Nem sequer posso dizer que trabalho por instinto, trabalho quando dá, sempre que consigo, de forma pouco organizada e ao sabor das minhas ideias (que essas de facto tenho muitas). Depois a capacidade de transformar estas ideias em realidades é que é mais difícil. O que vale é que não demoro muito a fazer as coisas, senão acho que não fazia mesmo nada. Por vezes preciso de algum tempo sozinha para me organizar e pensar nas coisas que ando a fazer. E atualmente isso é quase impossível. Por isso, vou fazendo o que posso e como posso. Mas nunca paro. Todos os dias me obrigo a produzir algo que me interessa e tem resultado.

Tem projetos para um futuro próximo? Que voos primaveris são esses que tem andado a preparar?
R: Podia passar a minha vida a pensar e a operacionalizar projetos! Em curso tenho pelo menos 2 ou 3. Um relacionado com o crochet e que estou a fazer com a minha avó (‘it’s a doily world’) e outro tem a ver com a minha paixão por coisas velhas. Em breve serão apresentados no meu blogue. A única característica que estas coisas têm é serem pequenas e de baixo custo de produção. Ou seja, não faço grandes planos de coisas mega e que implicariam ter recursos que não possuo. Não, isso já não faço mais (já fiz). Assento os pés bem no chão, olho à minha volta e uso o que está disponível. Dura o tempo que durar e quando acho que deve terminar termina. Ninguém deve ficar a chorar por mais uma ideia ou projeto que se foi! É a ordem natural das coisas.

Para além de se dedicar à sua loja, o que mais gosta de fazer?
R: Gosto de estar com a minha família, de tirar fotografias, de dançar rock, de francesinhas e finos na companhia de amigos, de procurar roupa vintage no e-bay e no etsy, de vasculhar velharias em feiras e lojas e bisbilhotar casas abandonadas. Também costumava gostar de deambular pela cidade do Porto e de ver filmes parvos ao domingo à tarde no sofá, mas já não faço isso há algum tempo (:D).



E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: De acordar cedo e fazer tarefas domésticas (todas!).

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Aqui vou ter desiludir os grandes artistas, cientistas e empreendedores nacionais e cair no maior lugar-comum de sempre para eleger a minha própria mãe. Porque é verdade. Foi ela que me ensinou a ter força e a lutar contra a corrente. Que me mostrou, muitas vezes da pior maneira, que a vida é para ser vivida em pleno e com felicidade. Acho que ela ficaria muito desiludida com isto, mas é ela que me inspira todos os dias para fazer as loucuras que tenho feito. Hoje, todas as coisas que em criança não compreendia transformaram-se em pura inspiração.

14/02/2012

galeria entrevista Liliana Alves

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Liliana Alves.


A Liliana Alves nasceu em Caldas da Rainha em 1982, onde atualmente reside e trabalha na sua empresa de joalharia.
É empresária, designer e artífice na área da joalharia contemporânea. Inspira-se nas raízes tradicionais portuguesas, em tudo o que a envolve e nos seus sonhos.
Fez o curso de ourivesaria no CINDOR em Gondomar e quando terminou decidiu avançar por conta própria. É uma otimista por natureza e apesar do percurso não ter sido fácil em questões burocráticas na formação da sua empresa, pela via da persistência conseguiu ter marca própria autenticada pela Casa da Moeda.
Pega em ouro e sobretudo em prata que conjuga com, por vezes madeira, cerâmica ou maioritariamente pedras preciosas, e cria peças únicas. A técnica de filigrana é uma característica do seu trabalho, tendo adaptado e recriado uma interpretação própria sobre a mesma. Cria jóias versáteis que podem ser usadas de muitas maneiras, como um colar com diferentes terminais que tem várias utilizações e que se transforma também numa pregadeira ou uma pregadeira que é simultaneamente um brinco.
Atualmente vende para joalharias, galerias de arte, museus e particulares. A Liliana também faz jóias para a Ana Bacalhau dos Deolinda.

joiaslilianalves.blogspot.com
facebook

colar Estrelícia
Esta paixão pela joalharia vem de pequenina?
R: A necessidade de dar corpo à imaginação é sim revelada desde pequena. Sempre foi uma imaginação em que tinha a necessidade de transportá-la para tintas coloridas no papel, esculturas em barro ou areia, e assim como em todas ou na maioria das meninas, gostava de fazer objetos de adorno para mim, para a família e amigos.

Como é que começa a criação de uma jóia? Através de um desenho?
R: A ideia surge, obrigatoriamente sinto em seguida a necessidade de a passar para o papel, não prendo muito tempo no desenho, apenas serve como auxílio de memória para me lembrar da ideia que tive e em que formato irei usar os materiais etc., pois o tempo urge, a finalidade é passar à prática e para se ser designer e empresária é preciso até na criatividade criar ordem e disciplina.

E, em média, quanto tempo demora para fazer uma peça?
R: Depende da peça, da sua dimensão e da sua carga técnica, tanto posso demorar, por exemplo, 3 horas a fazer um anel, como posso demorar 5 ou 6, posso fazer um colar em 5 horas como posso fazer outro de outro modelo em 9 ou 10.


Que cuidados deve ter um artífice que trabalhe com estes materiais?
R: Devido ao constante contacto com produtos nocivos à saúde é necessário as devidas precauções. Usar luvas quando se lida com produtos agressivos à pele, proteger as vias respiratórias quando trabalhamos com material de desgaste que origina poeiras, ter a noção dos limites no uso de maquinarias que modelam os metais, para não correr riscos de acidentes no trabalho.

A joalharia contemporânea já conquistou o mercado ou ainda é difícil entrar nas ourivesarias?
R: No meu ponto de vista, nos dias de hoje o que origina movimento no mercado das ourivesarias, é precisamente a joalharia contemporânea ou o que chamamos a joalharia de autor. Existe a necessidade de mudar um mercado saturado, de receber ideias inovadoras, criar o espanto e a novidade no público apreciador de jóias originais, a necessidade de marcar diferenças ou particularidades na forma de expressar e de estar, tanto é necessária para quem cria como para quem usa, daí existir uma perspetiva otimista para a joalharia contemporânea.



colecão Leveza
A Liliana fala em "dois anos de terror e burocracia" para registar a sua marca. Porque é que foi tão complicado?
R: É uma pergunta que mesmo findo esse passo ainda a coloco. Não vejo a necessidade de tanta restrição e exigência para a obtenção da marca registada pela casa da moeda, é uma legislação que há décadas que não é alterada, por isso não se adapta aos dias de hoje, não é coincidente com o nosso mercado atual. Obviamente, tudo deve ter uma norma de conduta e alguma regra, mas mesmo assim, a meu ver, as clausulas que definem as leis da casa da moeda para a obtenção do punção de fabricante de ourivesaria deviam ser mais abrangentes, pois nem todas as pessoas que pretendem dedicar-se a esta área, têm pretensões de industrializar ou de fazer os passos de transformação nos metais que implica ter um espaço especializado para essas transformações.

Tem alguma peça que se recuse a vender, que tenha feito só para si?
R: Para mim o que faço faz sentido ao ser partilhado, portanto mesmo que faça alguma jóia para mim é com o intuito de a publicitar. Se estiver muito tempo com ela posso sim criar uma espécie de afeição, mas não com o sentido de posse mesmo que goste muito delas.

Como é que surgiu esta "parceria" com a Ana Bacalhau?
R: Surgiu na sequência de uma entrevista que fiz em 2009 para a revista Única do Jornal Expresso. A Ana viu a entrevista, interessou-se pelo meu trabalho e enviou-me um e-mail, para mim muito curioso, pois alegou ser minha fã, fã do meu trabalho. Foi algo que me deixou muito contente e surpresa na forma como expressou. Admiro muito a Ana como pessoa e artista, por isso senti, quando disse ser minha fã, tive uma sensação de que havia algo trocado, pois eu é que me sentia sua fã, no entanto foi ótimo saber que o sentimento era recíproco.

foto de Rui M Leal
 A Liliana já teve algumas experiências no estrangeiro. A joalharia portuguesa é bem vista lá fora?
R: Sim. Há cerca de dois anos que faço apresentação e venda de coleções minhas na Suiça, tenho neste momento um leque de clientes que tende a aumentar através das pessoas que adquirem as minhas peças, que as usam e consequentemente publicitam, isso faz com que aumente a procura. Também envio encomendas de peças minhas a particulares, a família e amigos de família que residem em África do Sul. Para França, Espanha, Inglaterra e Alemanha estão perspetivados pontos de venda para um futuro próximo. A joalharia portuguesa tem um mundo imenso de apreciadores e de pessoas ávidas de a conhecer, desde a joalharia portuguesa tradicional à contemporânea.

Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Sempre organizados, mesmo que surjam imprevistos tenho sempre que estabelecer metas e prazos a mim mesma, a joalharia para mim não é um hobbie, mas sim um modo de vida, por isso faço por cumprir as minhas responsabilidades como empresária e fornecedora dos meus clientes, consequentemente terei em troca a liberdade de continuar a fazer o que gosto.

Tem projetos para um futuro próximo?
R: Pensar no próximo passo é sempre o meu lema, é intuitivo. A minha internacionalização mais demarcada é ponto assente para o meu futuro próximo, quer seja levar o meu trabalho para o mercado exterior, quer atuando em Portugal em áreas turísticas.


coleção Cornucópia

Para além de se dedicar à joalharia, o que mais gosta de fazer?
R: A joalharia, que é a minha atividade principal, preenche-me bastante como pessoa, no entanto não posso passar sem musica, obrigatoriamente acompanha o meu dia-a-dia e equilibra tudo o que faço. Andar a pé, exercitar o corpo, é fulcral para a minha saúde física e psicológica, pois o trabalho de joalharia obriga o corpo a permanecer em posições contínuas e tensas. O saber, o conhecimento de culturas e do mundo em geral é algo indispensável também para o meu intelecto. Gosto de perguntar o que não entendo e olhar em volta o que me rodeia de uma forma radiológica.

E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Executar as fases chatas e repetitivas em algumas peças. A joalharia para mim, tem o lado radiante, mas também tem por vezes o lado bruto, no entanto o resultado final compensa sempre.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: No mundo da joalharia Portuguesa infelizmente não tenho em mente alguém que me tenha influenciado ao ponto de não me esquecer nunca do seu trabalho, no entanto a arte nova foi sempre algo que na joalharia gostei de apreciar, René Lalique e uns outros tantos dessa época são artistas dos quais gosto de apreciar as suas obras “Cirúrgicas”. No entanto no mundo da poesia, da pintura, das artes do espectáculo, música e fotografia Portuguesa, existe um número infindável de artistas portugueses que admiro, que sigo os seus trabalhos e de que me orgulho imenso.



coleção Metamorfose

09/02/2012

galeria entrevista Alice Bernardo

Quinta-feira também é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Alice Bernardo.

foto de Fernanda Gomes
A Alice nasceu em 1980 em Vila Nova de Gaia mas trabalha e vive em Guimarães.
Formou-se em Arquitetura pela Universidade do Minho. Desde 2008, divulga o seu trabalho de design e produção artesanal através do site Noussnouss.com, onde vende acessórios de moda e faz um relato pessoal do seu processo criativo.
Há uns anos atrás teve a oportunidade de acompanhar as obras de restauro de um edifício classificado como património histórico e registou com pormenor os trabalhos de recuperação de tetos estucados e pinturas de fingidos. Foi nessa altura que achou fundamental registar as técnicas artesanais, transversais a todo o tipo de produção na nossa sociedade, que carecendo de aprendizes estão destinadas a ser esquecidas. Começou, então, numa constante pesquisa sobre processos de produção e origem das matérias-primas e criou o projeto documental Saber Fazer, a partir do qual regista com fotografias e vídeos as técnicas de produção artesanais e semi-industriais em Portugal, que resistiram até aos dias de hoje. Espera que com este trabalho documental continuem a ser valorizadas pelas gerações futuras e assim se gere uma vontade de retoma e evolução da manufatura.

noussnouss.com
blog.noussnouss.com
shop.noussnouss.com
www.saberfazer.org




A licenciatura em arquitetura foi um erro?
R: Nunca a considerei um erro e cada vez a acho mais importante na minha vida. A licenciatura em arquitetura deu-me estrutura e tornou-me autónoma criativamente. Foi um processo pelo qual passei e sem ele não estaria aqui.

Como surgiram os primeiros acessórios de moda Noussnouss?
R: Previsivelmente, surgiram para mim e para as amigas. A partir daí foram-se desenvolvendo.

Usa habitualmente os seus neckwarmers e as gravatas?
R: O primeiro neckwarmer de todos foi feito como presente para a minha irmã, e no ano seguinte criei o plissado para mim. Por isso, ao terem sido concebidos especialmente para nós as duas, continuam a ser das peças que mais uso durante o Inverno. É exatamente o que eu gosto de usar.
As gravatas não costumo usar, porque tenho um estilo mais descontraído, mas é uma das minhas peças preferidas de fazer.



E quais são os produtos mais procurados?
Os neckwarmers e os cachecóis longos, embora sejam produtos sazonais, são sempre os mais procurados. Tento que a qualidade dos materiais e a exclusividade das peças sobressaiam, e isso tem garantido o sucesso.

Desde que iniciou o projeto Saber Fazer, qual foi a técnica que mais a encantou?
R: Há bastante tempo que tenho uma pequena obsessão com a fiação, por isso é natural que perante a oportunidade de registar e aprender esta técnica, tenha ficado completamente apaixonada. Para mim há algo muito especial naquele ato de transformar a fibra em fio.
E o encanto vai para além da técnica, passando para as ferramentas: a minha roca em freixo e a coleção de fusos em carvalho são dos objectos que possuo atualmente que mais valorizo.

É um projeto que certamente lhe ocupa muito tempo. Tem sido gratificante?
R: As pessoas que tenho vindo a conhecer e toda a informação que tenho acumulado são algo que têm um valor incalculável para mim. Tive a oportunidade de aprender tanta coisa que de outra forma nunca conheceria, e em cada situação surgem oportunidades interessantes.
É um projeto que me deixa satisfeita. Mesmo quando volto para casa sem uma única fotografia, volto com boas experiências, que é o que me alimenta a alma.




A Alice gosta muito de fotografia. Anda sempre com a máquina fotográfica?
R: No mínimo com uma, às vezes com duas ou três. Sem nenhuma é que não.

Vende na sua loja produtos do José Machado. Foi a Alice que descobriu o José ou o José que descobriu a Alice?
R: Eu conheci o trabalho do Zé através da internet e, como me pareceu tão interessante e gosto tanto de ver oficinas, pedi-lhe para me deixar visitá-lo, ao que ele acedeu prontamente.
Nesse dia fiquei a conhecer mais sobre o seu trabalho e desde aí que desenvolvemos uma relação de amizade. 
A nossa parceria profissional resulta da nossa capacidade de combinar esforços e criar uma sinergia que funciona bem para ambos os lados, já que temos uma visão muito semelhante do que deve ser a produção artesanal e a sua comercialização.



Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Por instinto, embora a organização me faça cada vez mais falta.

Tem projetos para um futuro próximo?    
R: O meu futuro próximo vai ser dedicado a continuar a desenvolver o Saber Fazer. Há diversos projetos-satélite que quero levar a cabo, inclusive a primeira publicação dedicada apenas ao trabalho da lã, que estou a desenvolver com a ilustradora Maria Helena Silva.

Para além de se dedicar à Noussnouss e ao Saber Fazer, o que mais gosta de fazer?
R: De fazer caminhadas pela floresta e fotografar. E se puder fazer as duas coisas juntas, é perfeito.



E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: A parte que toda a gente que tem um trabalho remotamente criativo detesta: gestão!
Podia dizer que apenas não gosto tanto, mas na verdade odeio.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Uma pessoa que me tem surgido em mente ultimamente, pelo fantástico trabalho que desenvolveu ao longo da sua vida, e que ainda hei-de conhecer pessoalmente, porque sou assim teimosa: Benjamim Enes Pereira.

07/02/2012

galeria entrevista Lara Luís

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Lara Luís.


A Lara nasceu no Porto em 1987.
Tem uma licenciatura em Design Gráfico e Publicidade pela ESEIG. Está a estagiar na Leya e a acabar o Mestrado de Ilustração na ESAP em Guimarães.
Pretende continuar no mundo da ilustração, principalmente na área dos Livros Infantis.
Recentemente usou a ilustração para ajudar instituições que se dedicam aos animais, um projeto chamado Crazy Cat&Dog People.
É fã dos Beatles e perde-se com sushi (o nome da sua gata). Adora gatos e adora desenhar. Gosta de se desenhar a si própria, muitas vezes com os olhos fechados e de brincar com a sua personalidade em banda desenhada porque se considera um desenho animado!

laraluis.com
facebook


Nas suas ilustrações, as personagens estão muitas vezes com os olhos fechados. Porquê?
R: Gosto de pensar que são apanhadas pelo flash! Se fossem reais, provavelmente ficariam chateadas por as ter apanhado de olhos fechados!

Gosta de brincar consigo em BD. É uma pessoa bem disposta?
R: Nunca me levei a sério. Gosto de brincar com o lado positivo e negativo da minha personalidade (mais o negativo, porque sou uma chataaaaaa). Por isso, brinco com esses aspetos que me caracterizam!


O projeto Crazy Cat&Dog People vai continuar? Como é que tem corrido?
R: Tem corrido mesmo muito bem! Não podia estar mais feliz! O projeto Crazy Cat&Dog People pretende continuar, claro! Gostava de o levar a mais localidades para poder ajudar mais instituições de apoio ao animal. Para já vamos na segunda edição. Espero continuar a ter a boa aceitação que tenho tido perante o publico. E, claro, continuar a ajudar os gatinhos e canitos pelo país fora! Parece muito ambicioso, mas tenho a certeza que com a ajuda dos meus amigos ilustradores, vamos conseguir ajudar muitos bichinhos!

De todos os trabalhos que já fez, há um preferido?
R: Em cada trabalho que faço, deposito sempre muito de mim, da minha personalidade e dos gostos pessoais. Por isso, acabo por ter uma ligação muito forte com cada um deles. São como filhos! Não consigo escolher só um : p ahaha!




Que materiais usa nas suas ilustrações?
R: Para as minhas ilustrações tanto uso técnicas digitais, como as tradicionais: aguarelas, lápis de cor, acrílico, etc. Geralmente quando os prazos são mais apertados, opto pelo computador.

Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Com o estágio a full time, tenho obrigatoriamente de planear os meus dias. Claro que há alturas de maior ou menor cansaço, de mais ou menos inspiração. Mas tento fazer um esforço para trabalhar todos os dias, para conseguir coordenar o estágio, o meu trabalho enquanto freelancer e o mestrado.


Tem projetos para um futuro próximo?
R: Tenho sempre projetos! Aliás, eu preciso de estar sempre a magicar qualquer coisa na minha cabeça porque é isso que faz com que eu funcione! O meu projeto de sonho passa por realizar um livro infantil : )

Para além de desenhar, o que mais gosta de fazer?
R: Desenhar para mim já é um grande prazer! Mas, quando o tempo me permite, gosto de passear, ver exposições, conhecer livrarias, comprar livros de ilustração, ler. Alimentar os meus olhos! Não consigo passar sem ir a concertos, festivais de musica. É algo muito importante na minha vida, e principal fonte de inspiração. Por fim e não menos importante, gosto de estar alapada no sofá a ver desenhos animados com a Sushi no colo :p



E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: O que eu gosto menos de fazer é ter de estar no trânsito todos os dias, chegar a casa, subir 4 andares (porque o meu elevador está avariado) e ainda ter de cozinhar e arrumar! Humpf.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Para mim, enquanto jovem ilustradora muito nova nesta área, todos os ilustradores que conheço, principalmente do mundo do livro infantil, são os meus heróis! Posso destacar os 3 maravilhosos ilustradores do Planeta Tangerina, o João Vaz de Carvalho, André Letria, João Fazenda, Marta Monteiro, Marta Madureira... Ai! Eu gosto de muitos e de todos! Não consigo sequer escolher! Estão todos nas minhas prateleiras com os seus desenhos lindos e inspiradores!