Nasceu em Lisboa em 1941. Estilista, considerada a pioneira da moda em Portugal.
Começou a ler antes de chegar à escola, em casa e ainda adolescente já andava com a Elle francesa dentro do saco. Depois, mais tarde, Sartre e o existencialismo foram também motivo das suas leituras. Teve aulas de piano, fez patinagem, e gostava de fazer vestidos para si própria com a ajuda da avó, que tinha sido modista de alta costura, e com quem ia passear até à Baixa.
Sempre soube que o seu futuro iria estar ligado aos "trapos". Em 1972 abriu a sua primeira loja em Lisboa, a Maçã, onde vendia peças de roupa que escolhia em Londres. Passado algum tempo desenvolveu uma marca chamada Harlow, para exportação e também para comercialização na Maçã. A coleção da Harlow foi mostrada na FIL, num stand inspirado no cinema, uma coisa muito à frente do que se fazia na altura. A partir daqui revolucionou a forma de apresentar roupa em Portugal, através de acontecimentos de moda, como desfiles destinados a grandes audiências, exposições e outros eventos. Com cenários, com histórias.
Depois começou a criar coleções com o nome Ana Salazar e a vendê-las nas suas próprias lojas e em outros estabelecimentos, em Portugal e no estrangeiro. O seu nome foi durante muito tempo sinónimo de moda portuguesa. Abriu uma loja em Paris, que foi considerada pela revista francesa Marie Claire como um dos novos templos da moda. No ano 2000, apresentou a sua primeira coleção destinada a homens.
Ana Salazar abriu portas a muitos estilistas portugueses e foi também a primeira pessoa em Portugal a conceber linhas ou produtos de autor, paralelamente à criação de pronto a vestir.
Desenhou fardas para a TAP (air atlantis), para a CP e uniformes para o pavilhão português da Exposição Universal de Sevilha, lançou perfumes, roupa de casa, óculos e fez figurinos para várias peças de teatro. Também fez uma coleção de azulejos e uma coleção de cristais para a Atlantis e levou uma escultura de sua autoria à exposição Variations Gitanes no Museu do Louvre.
Do seu currículo fazem parte vários prémios de carreira, e foi distinguida com a Grande Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Há poucos dias, Ana Salazar anunciou que deixa a empresa que criou há 30 anos com o seu nome e que entretanto vendeu na totalidade, passando a desempenhar exclusivamente funções de diretora criativa.
"É com profunda tristeza que anuncio que a partir de hoje cesso qualquer colaboração com a empresa Ana Salazar, Lda, que criei há muitos anos (...) Pela primeira vez desde a sua criação, não irei participar na próxima edição da Moda Lisboa, nem de qualquer outro evento, pois não foi produzida a coleção Outono Inverno 2012 / 13. Mas eu não vou desistir. A Justiça restaurará o meu nome e a minha liberdade de criar. Muito em breve estarei de volta".
Esperemos que sim.
20/02/2012
19/02/2012
Resumo da semana :: 13
Domingo é dia de resumo.
Esta semana, a galeria portuguesa falou sobre a Rita Redshoes e o Pedro Gadanho.
Entrevistou a Liliana Alves.
E apresentou a Casa Ruim.
Aproveite para ver ou rever.
Esta semana, a galeria portuguesa falou sobre a Rita Redshoes e o Pedro Gadanho.
Entrevistou a Liliana Alves.
E apresentou a Casa Ruim.
Aproveite para ver ou rever.
17/02/2012
galeria apresenta Casa Ruim
Todas as sextas-feiras a galeria portuguesa apresenta uma loja, projeto, ideia, grupo, evento, marca ou produto, com uma única regra: Tem que ser nacional!
Hoje, apresentamos a Casa Ruim.
A Casa Ruim surgiu em 2009, em Torres Vedras, a poucos quilómetros de Lisboa.
É uma loja/atelier multidisciplinar nas áreas criativas, especializada em publicações de Design, Álbuns Ilustrados, Banda Desenhada, Fotografia, Cinema e outros artigos como peças de artesanato contemporâneo, objetos de design e réplicas de bonecos antigos, fabricados em lata e originais dos anos cinquenta, produzidos em Portugal.
A Casa Ruim dá especial destaque à produção nacional, organiza exposições e eventos, edita fanzines e álbuns ilustrados e expõe o artesanato contemporâneo interessante que se faz em Portugal.
Não seguem best-sellers nem modas, no fundo, vendem coisas que gostam. São amantes do revivalismo e do design vintage.
Vale a pena visitar esta Casa, que de ruim não tem nada...
Se for este fim-de-semana ainda vai a tempo de comprar alguns acessórios para o Carnaval.
"A loja é mais do que uma loja, é uma troca de experiências, emoções, histórias".
casaruim.com
flickr
blogue
facebook
Hoje, apresentamos a Casa Ruim.
A Casa Ruim surgiu em 2009, em Torres Vedras, a poucos quilómetros de Lisboa.
É uma loja/atelier multidisciplinar nas áreas criativas, especializada em publicações de Design, Álbuns Ilustrados, Banda Desenhada, Fotografia, Cinema e outros artigos como peças de artesanato contemporâneo, objetos de design e réplicas de bonecos antigos, fabricados em lata e originais dos anos cinquenta, produzidos em Portugal.
A Casa Ruim dá especial destaque à produção nacional, organiza exposições e eventos, edita fanzines e álbuns ilustrados e expõe o artesanato contemporâneo interessante que se faz em Portugal.
Não seguem best-sellers nem modas, no fundo, vendem coisas que gostam. São amantes do revivalismo e do design vintage.
Vale a pena visitar esta Casa, que de ruim não tem nada...
Se for este fim-de-semana ainda vai a tempo de comprar alguns acessórios para o Carnaval.
"A loja é mais do que uma loja, é uma troca de experiências, emoções, histórias".
casaruim.com
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15/02/2012
Pedro Gadanho
Nasceu na Covilhã, em 1968. Formou-se pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. É mestre em Arte e Arquitetura pelo Kent Institut of Arts and Design em Inglaterra e tem dividido a sua atividade entre a docência e a profissão de arquiteto, mas também a de curador, crítico, investigador e editor. Neste domínio, é responsável pela série Beyond, Short-Stories on the Post-Contemporary, em Amesterdão, e pelo blogue ShrapnelContemporary. Para além disso, colabora com regularidade em diversas publicações internacionais e publicou o livro Arquitectura em Público (Dafne), que fixa a sua tese de doutoramento na FAUP, um estudo sobre 15 anos de atenção mediática sobre a arquitetura nas páginas do jornal Público e em outros meios de comunicação.
Cedo percebeu que valia a pena diversificar a atividade. Contornando a ideia do atelier profissional que anda à procura de clientes e tenta conseguir encomendas para fazer obra.
Numa época em que há pouco trabalho para os arquitetos, Pedro Gadanho encoraja os novos profissionais a encarar a arquitetura como um campo aberto: "As qualidades que o arquiteto aprende na formação expandem-se a imensas possibilidades. Tem a ver com o domínio do espaço e da informação, o que tem aplicação em muitas áreas além da construção de edifícios."
Pedro Gadanho foi escolhido num concurso internacional lançado pelo MoMA e é agora o curador de Arquitetura Contemporânea no Departamento de Arquitetura e Design do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Está a dirigir, desde janeiro, o setor das exposições e aquisições, e ainda o dos Jovens Arquitetos. O objetivo deste programa é mostrar os arquitetos emergentes e ir construindo retratos recentes da realidade da arquitetura em diferentes localizações.
“Comecei por enviar o meu currículo, mas, no início, a minha expectativa de vir a ser escolhido era zero”. Pedro Gadanho vê a sua escolha para o MoMA como “o corolário de uma carreira de freelancer em áreas inovadoras no domínio da arquitetura, que têm crescido muito nos últimos anos”.
shrapnelcontemporary.wordpress.com
Cedo percebeu que valia a pena diversificar a atividade. Contornando a ideia do atelier profissional que anda à procura de clientes e tenta conseguir encomendas para fazer obra.
Numa época em que há pouco trabalho para os arquitetos, Pedro Gadanho encoraja os novos profissionais a encarar a arquitetura como um campo aberto: "As qualidades que o arquiteto aprende na formação expandem-se a imensas possibilidades. Tem a ver com o domínio do espaço e da informação, o que tem aplicação em muitas áreas além da construção de edifícios."
Pedro Gadanho foi escolhido num concurso internacional lançado pelo MoMA e é agora o curador de Arquitetura Contemporânea no Departamento de Arquitetura e Design do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Está a dirigir, desde janeiro, o setor das exposições e aquisições, e ainda o dos Jovens Arquitetos. O objetivo deste programa é mostrar os arquitetos emergentes e ir construindo retratos recentes da realidade da arquitetura em diferentes localizações.
“Comecei por enviar o meu currículo, mas, no início, a minha expectativa de vir a ser escolhido era zero”. Pedro Gadanho vê a sua escolha para o MoMA como “o corolário de uma carreira de freelancer em áreas inovadoras no domínio da arquitetura, que têm crescido muito nos últimos anos”.
shrapnelcontemporary.wordpress.com
14/02/2012
galeria entrevista Liliana Alves
Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Liliana Alves.
A Liliana Alves nasceu em Caldas da Rainha em 1982, onde atualmente reside e trabalha na sua empresa de joalharia.
É empresária, designer e artífice na área da joalharia contemporânea. Inspira-se nas raízes tradicionais portuguesas, em tudo o que a envolve e nos seus sonhos.
Fez o curso de ourivesaria no CINDOR em Gondomar e quando terminou decidiu avançar por conta própria. É uma otimista por natureza e apesar do percurso não ter sido fácil em questões burocráticas na formação da sua empresa, pela via da persistência conseguiu ter marca própria autenticada pela Casa da Moeda.
Pega em ouro e sobretudo em prata que conjuga com, por vezes madeira, cerâmica ou maioritariamente pedras preciosas, e cria peças únicas. A técnica de filigrana é uma característica do seu trabalho, tendo adaptado e recriado uma interpretação própria sobre a mesma. Cria jóias versáteis que podem ser usadas de muitas maneiras, como um colar com diferentes terminais que tem várias utilizações e que se transforma também numa pregadeira ou uma pregadeira que é simultaneamente um brinco.
Atualmente vende para joalharias, galerias de arte, museus e particulares. A Liliana também faz jóias para a Ana Bacalhau dos Deolinda.
joiaslilianalves.blogspot.com
facebook
Esta paixão pela joalharia vem de pequenina?
R: A necessidade de dar corpo à imaginação é sim revelada desde pequena. Sempre foi uma imaginação em que tinha a necessidade de transportá-la para tintas coloridas no papel, esculturas em barro ou areia, e assim como em todas ou na maioria das meninas, gostava de fazer objetos de adorno para mim, para a família e amigos.
Como é que começa a criação de uma jóia? Através de um desenho?
R: A ideia surge, obrigatoriamente sinto em seguida a necessidade de a passar para o papel, não prendo muito tempo no desenho, apenas serve como auxílio de memória para me lembrar da ideia que tive e em que formato irei usar os materiais etc., pois o tempo urge, a finalidade é passar à prática e para se ser designer e empresária é preciso até na criatividade criar ordem e disciplina.
E, em média, quanto tempo demora para fazer uma peça?
R: Depende da peça, da sua dimensão e da sua carga técnica, tanto posso demorar, por exemplo, 3 horas a fazer um anel, como posso demorar 5 ou 6, posso fazer um colar em 5 horas como posso fazer outro de outro modelo em 9 ou 10.
Que cuidados deve ter um artífice que trabalhe com estes materiais?
R: Devido ao constante contacto com produtos nocivos à saúde é necessário as devidas precauções. Usar luvas quando se lida com produtos agressivos à pele, proteger as vias respiratórias quando trabalhamos com material de desgaste que origina poeiras, ter a noção dos limites no uso de maquinarias que modelam os metais, para não correr riscos de acidentes no trabalho.
A joalharia contemporânea já conquistou o mercado ou ainda é difícil entrar nas ourivesarias?
R: No meu ponto de vista, nos dias de hoje o que origina movimento no mercado das ourivesarias, é precisamente a joalharia contemporânea ou o que chamamos a joalharia de autor. Existe a necessidade de mudar um mercado saturado, de receber ideias inovadoras, criar o espanto e a novidade no público apreciador de jóias originais, a necessidade de marcar diferenças ou particularidades na forma de expressar e de estar, tanto é necessária para quem cria como para quem usa, daí existir uma perspetiva otimista para a joalharia contemporânea.
A Liliana fala em "dois anos de terror e burocracia" para registar a sua marca. Porque é que foi tão complicado?
R: É uma pergunta que mesmo findo esse passo ainda a coloco. Não vejo a necessidade de tanta restrição e exigência para a obtenção da marca registada pela casa da moeda, é uma legislação que há décadas que não é alterada, por isso não se adapta aos dias de hoje, não é coincidente com o nosso mercado atual. Obviamente, tudo deve ter uma norma de conduta e alguma regra, mas mesmo assim, a meu ver, as clausulas que definem as leis da casa da moeda para a obtenção do punção de fabricante de ourivesaria deviam ser mais abrangentes, pois nem todas as pessoas que pretendem dedicar-se a esta área, têm pretensões de industrializar ou de fazer os passos de transformação nos metais que implica ter um espaço especializado para essas transformações.
Tem alguma peça que se recuse a vender, que tenha feito só para si?
R: Para mim o que faço faz sentido ao ser partilhado, portanto mesmo que faça alguma jóia para mim é com o intuito de a publicitar. Se estiver muito tempo com ela posso sim criar uma espécie de afeição, mas não com o sentido de posse mesmo que goste muito delas.
Como é que surgiu esta "parceria" com a Ana Bacalhau?
R: Surgiu na sequência de uma entrevista que fiz em 2009 para a revista Única do Jornal Expresso. A Ana viu a entrevista, interessou-se pelo meu trabalho e enviou-me um e-mail, para mim muito curioso, pois alegou ser minha fã, fã do meu trabalho. Foi algo que me deixou muito contente e surpresa na forma como expressou. Admiro muito a Ana como pessoa e artista, por isso senti, quando disse ser minha fã, tive uma sensação de que havia algo trocado, pois eu é que me sentia sua fã, no entanto foi ótimo saber que o sentimento era recíproco.
A Liliana já teve algumas experiências no estrangeiro. A joalharia portuguesa é bem vista lá fora?
R: Sim. Há cerca de dois anos que faço apresentação e venda de coleções minhas na Suiça, tenho neste momento um leque de clientes que tende a aumentar através das pessoas que adquirem as minhas peças, que as usam e consequentemente publicitam, isso faz com que aumente a procura. Também envio encomendas de peças minhas a particulares, a família e amigos de família que residem em África do Sul. Para França, Espanha, Inglaterra e Alemanha estão perspetivados pontos de venda para um futuro próximo. A joalharia portuguesa tem um mundo imenso de apreciadores e de pessoas ávidas de a conhecer, desde a joalharia portuguesa tradicional à contemporânea.
Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Sempre organizados, mesmo que surjam imprevistos tenho sempre que estabelecer metas e prazos a mim mesma, a joalharia para mim não é um hobbie, mas sim um modo de vida, por isso faço por cumprir as minhas responsabilidades como empresária e fornecedora dos meus clientes, consequentemente terei em troca a liberdade de continuar a fazer o que gosto.
Tem projetos para um futuro próximo?
R: Pensar no próximo passo é sempre o meu lema, é intuitivo. A minha internacionalização mais demarcada é ponto assente para o meu futuro próximo, quer seja levar o meu trabalho para o mercado exterior, quer atuando em Portugal em áreas turísticas.
Para além de se dedicar à joalharia, o que mais gosta de fazer?
R: A joalharia, que é a minha atividade principal, preenche-me bastante como pessoa, no entanto não posso passar sem musica, obrigatoriamente acompanha o meu dia-a-dia e equilibra tudo o que faço. Andar a pé, exercitar o corpo, é fulcral para a minha saúde física e psicológica, pois o trabalho de joalharia obriga o corpo a permanecer em posições contínuas e tensas. O saber, o conhecimento de culturas e do mundo em geral é algo indispensável também para o meu intelecto. Gosto de perguntar o que não entendo e olhar em volta o que me rodeia de uma forma radiológica.
E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Executar as fases chatas e repetitivas em algumas peças. A joalharia para mim, tem o lado radiante, mas também tem por vezes o lado bruto, no entanto o resultado final compensa sempre.
Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: No mundo da joalharia Portuguesa infelizmente não tenho em mente alguém que me tenha influenciado ao ponto de não me esquecer nunca do seu trabalho, no entanto a arte nova foi sempre algo que na joalharia gostei de apreciar, René Lalique e uns outros tantos dessa época são artistas dos quais gosto de apreciar as suas obras “Cirúrgicas”. No entanto no mundo da poesia, da pintura, das artes do espectáculo, música e fotografia Portuguesa, existe um número infindável de artistas portugueses que admiro, que sigo os seus trabalhos e de que me orgulho imenso.
Saiba um pouco mais sobre a Liliana Alves.
A Liliana Alves nasceu em Caldas da Rainha em 1982, onde atualmente reside e trabalha na sua empresa de joalharia.
É empresária, designer e artífice na área da joalharia contemporânea. Inspira-se nas raízes tradicionais portuguesas, em tudo o que a envolve e nos seus sonhos.
Fez o curso de ourivesaria no CINDOR em Gondomar e quando terminou decidiu avançar por conta própria. É uma otimista por natureza e apesar do percurso não ter sido fácil em questões burocráticas na formação da sua empresa, pela via da persistência conseguiu ter marca própria autenticada pela Casa da Moeda.
Pega em ouro e sobretudo em prata que conjuga com, por vezes madeira, cerâmica ou maioritariamente pedras preciosas, e cria peças únicas. A técnica de filigrana é uma característica do seu trabalho, tendo adaptado e recriado uma interpretação própria sobre a mesma. Cria jóias versáteis que podem ser usadas de muitas maneiras, como um colar com diferentes terminais que tem várias utilizações e que se transforma também numa pregadeira ou uma pregadeira que é simultaneamente um brinco.
Atualmente vende para joalharias, galerias de arte, museus e particulares. A Liliana também faz jóias para a Ana Bacalhau dos Deolinda.
joiaslilianalves.blogspot.com
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| colar Estrelícia |
R: A necessidade de dar corpo à imaginação é sim revelada desde pequena. Sempre foi uma imaginação em que tinha a necessidade de transportá-la para tintas coloridas no papel, esculturas em barro ou areia, e assim como em todas ou na maioria das meninas, gostava de fazer objetos de adorno para mim, para a família e amigos.
Como é que começa a criação de uma jóia? Através de um desenho?
R: A ideia surge, obrigatoriamente sinto em seguida a necessidade de a passar para o papel, não prendo muito tempo no desenho, apenas serve como auxílio de memória para me lembrar da ideia que tive e em que formato irei usar os materiais etc., pois o tempo urge, a finalidade é passar à prática e para se ser designer e empresária é preciso até na criatividade criar ordem e disciplina.
E, em média, quanto tempo demora para fazer uma peça?
R: Depende da peça, da sua dimensão e da sua carga técnica, tanto posso demorar, por exemplo, 3 horas a fazer um anel, como posso demorar 5 ou 6, posso fazer um colar em 5 horas como posso fazer outro de outro modelo em 9 ou 10.
Que cuidados deve ter um artífice que trabalhe com estes materiais?
R: Devido ao constante contacto com produtos nocivos à saúde é necessário as devidas precauções. Usar luvas quando se lida com produtos agressivos à pele, proteger as vias respiratórias quando trabalhamos com material de desgaste que origina poeiras, ter a noção dos limites no uso de maquinarias que modelam os metais, para não correr riscos de acidentes no trabalho.
A joalharia contemporânea já conquistou o mercado ou ainda é difícil entrar nas ourivesarias?
R: No meu ponto de vista, nos dias de hoje o que origina movimento no mercado das ourivesarias, é precisamente a joalharia contemporânea ou o que chamamos a joalharia de autor. Existe a necessidade de mudar um mercado saturado, de receber ideias inovadoras, criar o espanto e a novidade no público apreciador de jóias originais, a necessidade de marcar diferenças ou particularidades na forma de expressar e de estar, tanto é necessária para quem cria como para quem usa, daí existir uma perspetiva otimista para a joalharia contemporânea.
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| colecão Leveza |
R: É uma pergunta que mesmo findo esse passo ainda a coloco. Não vejo a necessidade de tanta restrição e exigência para a obtenção da marca registada pela casa da moeda, é uma legislação que há décadas que não é alterada, por isso não se adapta aos dias de hoje, não é coincidente com o nosso mercado atual. Obviamente, tudo deve ter uma norma de conduta e alguma regra, mas mesmo assim, a meu ver, as clausulas que definem as leis da casa da moeda para a obtenção do punção de fabricante de ourivesaria deviam ser mais abrangentes, pois nem todas as pessoas que pretendem dedicar-se a esta área, têm pretensões de industrializar ou de fazer os passos de transformação nos metais que implica ter um espaço especializado para essas transformações.
Tem alguma peça que se recuse a vender, que tenha feito só para si?
R: Para mim o que faço faz sentido ao ser partilhado, portanto mesmo que faça alguma jóia para mim é com o intuito de a publicitar. Se estiver muito tempo com ela posso sim criar uma espécie de afeição, mas não com o sentido de posse mesmo que goste muito delas.
Como é que surgiu esta "parceria" com a Ana Bacalhau?
R: Surgiu na sequência de uma entrevista que fiz em 2009 para a revista Única do Jornal Expresso. A Ana viu a entrevista, interessou-se pelo meu trabalho e enviou-me um e-mail, para mim muito curioso, pois alegou ser minha fã, fã do meu trabalho. Foi algo que me deixou muito contente e surpresa na forma como expressou. Admiro muito a Ana como pessoa e artista, por isso senti, quando disse ser minha fã, tive uma sensação de que havia algo trocado, pois eu é que me sentia sua fã, no entanto foi ótimo saber que o sentimento era recíproco.
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| foto de Rui M Leal |
R: Sim. Há cerca de dois anos que faço apresentação e venda de coleções minhas na Suiça, tenho neste momento um leque de clientes que tende a aumentar através das pessoas que adquirem as minhas peças, que as usam e consequentemente publicitam, isso faz com que aumente a procura. Também envio encomendas de peças minhas a particulares, a família e amigos de família que residem em África do Sul. Para França, Espanha, Inglaterra e Alemanha estão perspetivados pontos de venda para um futuro próximo. A joalharia portuguesa tem um mundo imenso de apreciadores e de pessoas ávidas de a conhecer, desde a joalharia portuguesa tradicional à contemporânea.
Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Sempre organizados, mesmo que surjam imprevistos tenho sempre que estabelecer metas e prazos a mim mesma, a joalharia para mim não é um hobbie, mas sim um modo de vida, por isso faço por cumprir as minhas responsabilidades como empresária e fornecedora dos meus clientes, consequentemente terei em troca a liberdade de continuar a fazer o que gosto.
Tem projetos para um futuro próximo?
R: Pensar no próximo passo é sempre o meu lema, é intuitivo. A minha internacionalização mais demarcada é ponto assente para o meu futuro próximo, quer seja levar o meu trabalho para o mercado exterior, quer atuando em Portugal em áreas turísticas.
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| coleção Cornucópia |
Para além de se dedicar à joalharia, o que mais gosta de fazer?
R: A joalharia, que é a minha atividade principal, preenche-me bastante como pessoa, no entanto não posso passar sem musica, obrigatoriamente acompanha o meu dia-a-dia e equilibra tudo o que faço. Andar a pé, exercitar o corpo, é fulcral para a minha saúde física e psicológica, pois o trabalho de joalharia obriga o corpo a permanecer em posições contínuas e tensas. O saber, o conhecimento de culturas e do mundo em geral é algo indispensável também para o meu intelecto. Gosto de perguntar o que não entendo e olhar em volta o que me rodeia de uma forma radiológica.
E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Executar as fases chatas e repetitivas em algumas peças. A joalharia para mim, tem o lado radiante, mas também tem por vezes o lado bruto, no entanto o resultado final compensa sempre.
Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: No mundo da joalharia Portuguesa infelizmente não tenho em mente alguém que me tenha influenciado ao ponto de não me esquecer nunca do seu trabalho, no entanto a arte nova foi sempre algo que na joalharia gostei de apreciar, René Lalique e uns outros tantos dessa época são artistas dos quais gosto de apreciar as suas obras “Cirúrgicas”. No entanto no mundo da poesia, da pintura, das artes do espectáculo, música e fotografia Portuguesa, existe um número infindável de artistas portugueses que admiro, que sigo os seus trabalhos e de que me orgulho imenso.
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| coleção Metamorfose |
13/02/2012
Rita Redshoes
Chama-se Rita Pereira, é de Loures e nasceu em 1981.
É cantora, compositora e toca vários instrumentos. Foi estudante do ISPA e da Escola Superior de Música do Instituto Politécnico de Lisboa.
Em pequena tocava, cantava e fazia grandes performances para a família. A certa altura, achou que queria ser bailarina e estudou ballet durante oito anos. Até que o irmão comprou uma bateria e sempre que ele não estava em casa a Rita tocava. Começa aqui a sua ligação mais séria com a música, ainda na escola secundária como baterista do grupo de Teatro Ita Vero. Percebeu que havia ali algo que podia explorar, mesmo não sabendo como. Mais tarde, num ensaio da banda do irmão, Atomic Bees, o vocalista faltou. Como sabia as músicas todas de cor, a Rita substituiu-o. E foi ficando. Decidiu ir estudar música e foi para a Escola Superior de Música do Instituto Politécnico de Lisboa. Mas confessa que nunca conseguiu acompanhar o ritmo. Diz que o ensino era demasiado fechado para quem vinha da pop, um universo mais livre e na sua opinião com mais piada. Sentiu um choque de linguagens, como se estivessem a formatá-la. Musicalmente, foi um processo muito produtivo, porque compôs imenso nessa altura, mas também muito conturbado. Fez a sua escolha e desistiu da Escola Superior de Música. Viu-se obrigada a optar por outro caminho mas nunca largou a ideia de trabalhar na música. Não via futuro à sua frente e ficou deprimida o que a levou à psicoterapia. Apaixonou-se pelo processo e aos 21 anos, depois de ter tirado um pequeno curso de marketing musical, entrou no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Entretanto teve a sorte de o David Fonseca ter ouvido o disco da banda do irmão. Gostou e convidou-a para integrar a banda do seu projeto a solo. Tornou-se assim a teclista de serviço na banda de suporte de David Fonseca.
Foi também uma das finalistas do concurso Jovens Criadores, tocando baixo no projeto Rebel Red Dog, e tocou piano e cantou no projeto Photographs.
Dream on Girl, uma música que a Rita tinha gravado em casa e colocado no MySpace, começa a ganhar notoriedade e algum destaque em rádios como a RADAR (foi nomeada para Canção do Ano). A partir daqui estava lançada e em 2008 lançou o seu primeiro álbum a solo chamado Golden Era.
Associou-se à campanha Fashion Targets Breast Cancer, cedendo a sua música Choose Love para banda sonora. Foi também madrinha da campanha de criação de um Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa.
Lights & Darks, o seu segundo álbum, foi lançado em 2010 e teve direito a uma reedição muito especial, um ano depois. Esta reedição tinha para além além do disco um DVD, Into Lights & Darks, com um documentário realizado por Rita Redshoes, a desvendar todo o processo criativo do disco, desconstruindo as canções, influências, abrindo as portas ao imaginário das suas músicas. Este DVD inclui também excertos do concerto na Aula Magna e alguns vídeos (incluindo o dueto com The Legendary Tiger Man em Fever).
Os sapatos vermelhos vêm do imaginário do Feiticeiro de Oz, algo ingénuo e sonhador e com o lado mais feminino e sexy e um bocadinho rock n’roll. No fundo alguém que age como uma mulher mas depois chora como uma menina.
A Rita é também a porta-voz da Associação Fonográfica Portuguesa no combate à pirataria na Internet.
Vai atuar em Lisboa no Teatro Municipal São Luiz a 8 de Março.
ritaredshoes.com
"As canções são fragmentos de mim, de coisas que eu penso sobre o amor, são influenciadas pelo que eu vejo, não tanto pela música, mas por imagens, por filmes. Tenho muitas imagens gravadas na minha cabeça e tudo isso me influencia".
É cantora, compositora e toca vários instrumentos. Foi estudante do ISPA e da Escola Superior de Música do Instituto Politécnico de Lisboa.
Em pequena tocava, cantava e fazia grandes performances para a família. A certa altura, achou que queria ser bailarina e estudou ballet durante oito anos. Até que o irmão comprou uma bateria e sempre que ele não estava em casa a Rita tocava. Começa aqui a sua ligação mais séria com a música, ainda na escola secundária como baterista do grupo de Teatro Ita Vero. Percebeu que havia ali algo que podia explorar, mesmo não sabendo como. Mais tarde, num ensaio da banda do irmão, Atomic Bees, o vocalista faltou. Como sabia as músicas todas de cor, a Rita substituiu-o. E foi ficando. Decidiu ir estudar música e foi para a Escola Superior de Música do Instituto Politécnico de Lisboa. Mas confessa que nunca conseguiu acompanhar o ritmo. Diz que o ensino era demasiado fechado para quem vinha da pop, um universo mais livre e na sua opinião com mais piada. Sentiu um choque de linguagens, como se estivessem a formatá-la. Musicalmente, foi um processo muito produtivo, porque compôs imenso nessa altura, mas também muito conturbado. Fez a sua escolha e desistiu da Escola Superior de Música. Viu-se obrigada a optar por outro caminho mas nunca largou a ideia de trabalhar na música. Não via futuro à sua frente e ficou deprimida o que a levou à psicoterapia. Apaixonou-se pelo processo e aos 21 anos, depois de ter tirado um pequeno curso de marketing musical, entrou no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Entretanto teve a sorte de o David Fonseca ter ouvido o disco da banda do irmão. Gostou e convidou-a para integrar a banda do seu projeto a solo. Tornou-se assim a teclista de serviço na banda de suporte de David Fonseca.
Foi também uma das finalistas do concurso Jovens Criadores, tocando baixo no projeto Rebel Red Dog, e tocou piano e cantou no projeto Photographs.
Dream on Girl, uma música que a Rita tinha gravado em casa e colocado no MySpace, começa a ganhar notoriedade e algum destaque em rádios como a RADAR (foi nomeada para Canção do Ano). A partir daqui estava lançada e em 2008 lançou o seu primeiro álbum a solo chamado Golden Era.
Associou-se à campanha Fashion Targets Breast Cancer, cedendo a sua música Choose Love para banda sonora. Foi também madrinha da campanha de criação de um Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa.
Lights & Darks, o seu segundo álbum, foi lançado em 2010 e teve direito a uma reedição muito especial, um ano depois. Esta reedição tinha para além além do disco um DVD, Into Lights & Darks, com um documentário realizado por Rita Redshoes, a desvendar todo o processo criativo do disco, desconstruindo as canções, influências, abrindo as portas ao imaginário das suas músicas. Este DVD inclui também excertos do concerto na Aula Magna e alguns vídeos (incluindo o dueto com The Legendary Tiger Man em Fever).
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| foto de José Sena Goulão |
A Rita é também a porta-voz da Associação Fonográfica Portuguesa no combate à pirataria na Internet.
Vai atuar em Lisboa no Teatro Municipal São Luiz a 8 de Março.
ritaredshoes.com
"As canções são fragmentos de mim, de coisas que eu penso sobre o amor, são influenciadas pelo que eu vejo, não tanto pela música, mas por imagens, por filmes. Tenho muitas imagens gravadas na minha cabeça e tudo isso me influencia".
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