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03/05/2012

galeria apresenta Projecto Amelie


O Projecto Amelie espalha mensagens para alegrar o dia de quem as apanha. Livros, cabines telefónicas, sinais de trânsito, semáforos, portas, transportes públicos, caixas multibanco e troncos de árvores são alguns dos sítios onde podemos ser surpreendidos com mensagens assim:






Martim Dornellas iniciou em setembro de 2011 este projeto que é (profundamente) inspirado por Ze Frank. A corrente começou em Lisboa mas já varreu o país todo e até saltou além fronteiras. Paris, Londres e Bruxelas são alguns exemplos.
O Martim diz que são pequenas ações que têm como objectivo mudar o mundo, ou os pequenos mundos em que vivemos. São ações desinteressadas para fazer alguém sorrir, sentir-se melhor, emocionar-se, etc. Qualquer coisa que mude o dia a dia de algumas (mas basta uma) pessoas.

Quem quiser espalhar sorrisos pode fazer download de mensagens aqui. E depois divulgar na página do
facebook.

facebook.com/ProjectoAmelie
projectoamelie.tumblr.com
pinterest.com/projectoamelie


26/04/2012

galeria entrevista Joana Rosa Bragança

Hoje é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Joana Rosa Bragança.


A Joana nasceu em Sagres em 1986 mas vive e trabalha entre Olhão e Lisboa.
Fez a licenciatura em Artes Visuais na Universidade de Évora e o mestrado de ilustração artística no ISEC/UE. Ainda passou pelo Ar.Co, Oficina de Cego e Universidade de Évora em workshops de complemento.
É artista plástica e ilustradora, gosta de representar pessoas e bichos (especialmente gatos e cães) e não tem a preocupação de os tornar bonitinhos e fofinhos. Desenha senhoras gordas e homens com bigodes tremelicantes, crianças com rugas e anafadas mas que têm uma beleza própria, quase crítica e não deixam ninguém indiferente. Gosta de se aventurar a três dimensões e por isso as personagens saltaram do papel e deram origem a bonecos, com bigodes e tudo!
As suas ilustrações, desenhos e gravuras já marcaram presença em várias exposições coletivas e individuais.
Em 2008 participou no livro Cabeça de Ferro e em 2009 ilustrou No Reino do Rei Rufino da Soregra Editores. Em 2011 participou no The Morran Book Project do Studio Morran e ilustrou O Pequeno Super Homem da Letras & Coisas. Fez também um livro chamado PLIM, uma edição caseira sobre a balbúrdia dos tempos modernos e foi convidada de Natal da Retrosaria.
A Joana mostra o seu trabalho no blogue borbotos e barbelas mas também tem um site todo arrumadinho por temas e outro blogue dedicado ao gato Tobias.

borbotosebarbelas.blogspot.pt
joanarosab.com
facebook
flickr
etsy
o-tobias.blogspot.pt




A Ilustração é a sua paixão?
R: A minha paixão é criar, desenhar, pintar... ilustrar acaba por ser uma consequência deste amor. Na maioria das vezes, quando crio não estou propriamente a ilustrar um texto nem nada em concreto, estou simplesmente a fazer e a pensar em liberdade.

E de onde vem a inspiração?
R: A inspiração chega de quase todo o lado! Às vezes vem de dentro, outras vezes vem de fora. Inspira-me a infância, algumas situações estranhas que me vêm ao pensamento e também frases que ouvi algures; a proximidade do mar e do campo, os animais em geral, as pessoas genuínas que vivem nas redondezas da minha pequena cidade — especialmente os pescadores e os seus peculiares cães — as lendas locais, a natureza, mas também a literatura e a música. Sentir-me bem num lugar é essencial para a inspiração fluir.




Prefere ilustrar livremente ou ter um tema ou um texto, no caso dos livros infantis?
R: Prefiro ilustrar livremente! Mas de vez em quando também me agrada ter um tema ou um texto, pois é algo que também gosto de fazer.

O PLIM, é um projeto de autor. Chegou a procurar editoras ou a ideia era mesmo fazer uma edição caseira?
R: A ideia inicial foi fazer uma edição caseira e é assim que tem sido até agora. Mas publicar o PLIM seria algo que gostaria de tentar concretizar.




Os bonecos e bonecas, como surgiram?
R: Sempre gostei muito da tridimensionalidade e da possibilidade de dar outra vida aos personagens que invento. Os meus bonecos estão profundamente ligados aos meus desenhos. Apesar de gostar de escultura em barro e em madeira, os tecidos abrem outras possibilidades que me atraem muito. E se forem antigos melhor ainda, porque já trazem com eles uma história e isso é uma inspiração suplementar! Sei pouco de costura, vou aprendendo por tentativa e erro, utilizo os tecidos como se fossem outro material qualquer. O que procuro não é uma peça perfeita mas sim algo único e vibrante de personalidade. Eu construo-os como quem faz uma escultura, de forma livre e sem moldes, a pouco e pouco, até começarem a ganhar vida própria — a partir daí são eles que me dizem quem são e do que precisam para ficarem completos!

E os bigodes?
R: São simplesmente divertidos e uma fonte inesgotável de variedade capilar (e de ideias!)



É difícil ser ilustradora em Portugal?
R: Ainda não sei bem, mas parece-me que não é assim tão fácil. Como vivo fora dos grandes "centros" sou capaz de ter uma opinião ligeiramente desfasada da maioria. Mas acredito que seja possível, há que insistir para se fazer aquilo que se gosta, onde se gosta!

A Joana também gosta de fotografia. Teve alguma formação ou é autodidata?
R: Sou totalmente autodidata. O momento em que descobri a máquina antiga do meu pai e espreitei através do seu visor brilhante foi mágico, um mundo novo apareceu à frente dos meus olhos! Coisa que nunca me tinha acontecido com as máquinas digitais. É algo misterioso que não consigo explicar...

Anda sempre com a máquina fotográfica?
R: Sim, especialmente quando sei que vou andar a passear a céu aberto.
Porquê um blogue dedicado a um gato?
R: Eu adoro gatos! Tenho gatos quase desde que nasci e fotografá-los é algo a que não consigo resistir. Resolvi criar um blogue para partilhar essas imagens com os amigos e outros amantes de gatos.


Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Normalmente trabalho por instinto, mas quando o trabalho é muito ou há várias coisas em simultâneo para serem feitas a coisa complica-se, e aí o instinto não serve de ajuda, sou obrigada a organizar-me!

Tem projetos para um futuro próximo?
R: Tenho vários, gostava de fazer outras exposições, aqui no sul inclusive; criar um livro de raíz com texto e ilustrações da minha autoria; voltar a fazer gravura e iniciar-me na serigrafia.



Para além das artes plásticas e da ilustração, o que mais gosta de fazer?
R: Ler. Gosto muito de ler. Gosto de viajar e fazer passeios ao ar livre, adoro mexer na terra, plantar coisas e tratar das minhas flores e suculentas.

E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: É penoso quando tenho de passar muito tempo a olhar para o computador por causa de algum trabalho ou algo do género.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Existem muitas pessoas a fazer coisas que admiro nas mais variadas áreas, acho que seria uma lista demasiado comprida! Como não quero esquecer-me de ninguém e custa-me mencionar só um, talvez seja melhor nem começar...

10/04/2012

galeria entrevista Mariana, a Miserável

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Mariana, a Miserável.


Mariana, a Miserável, porque é mais fixe que Mariana Santos e porque é uma azarada! Na verdade, o nome vem de uma fanzine que fez há uns anos e decidiu adotá-lo.
Não gosta de biografias mas vale a pena ler a que tem no seu blogue:
Quando era pequena queria ser florista, mas cedo tomou a liberdade de seguir uma vida de "miséria, fossa e rock 'n' roll". Tem feito parte de bizarros triângulos amorosos e de coisas ainda mais quadradas, e quando não acha que é deus, ... acredita que este é um senhor divorciado que não ouve bem. A um passo da queda e a outro do casamento por conveniência, vendeu o seu coração numa loja de souvenirs para pagar a conta da água.
Um dia (talvez uma noite), descobriu que gostava de desenhar coisas estranhas – de desconstruir o mundo para construir outros, não necessariamente melhores, mas que aos seus olhos fizessem mais sentido.
Na origem de tudo o que faz está uma grande compota de estórias de si própria vista à lupa, da vizinha do lado, de gente má como as cobras, de flores que não se cheiram, de amor, de desamor, de despedidas, de bizarrias, de desassossegos, de animais raros ou inexistentes, de finais infelizes ou de finais apenas, de cárdio citologias (seja lá isso o que for) e de homens feios, porcos e maus.
Depois, sentindo que devia partilhar as suas intimidades gráficas com alguém para além da mãe, de opinião sempre suspeita, optou por fazê-lo num blog, onde é visitada por umas quantas pessoas de "mau gosto" e por outras que o fazem por obrigação.
Começou recentemente a comercializar e publicar as suas criações e acredita que mais cedo ou mais tarde vai dominar o mundo.


marianaamiseravel.blogspot.pt
marianaamiseravel.com
flickr.com/photos/marianaamiseravel
society6.com/Marianaamiseravel
facebook


Diz que não sabe desenhar mas entrou no mundo da ilustração. Como?
R: Eu tinha coisas para dizer mas nunca tive jeito para as palavras.

Chora-se muito nas suas ilustrações. Até os gatos choram. Porquê?
R: Obviamente porque acabaram de picar cebola.



Mas a Mariana tem um sentido de humor bem apurado. Deve gostar de rir...
R: De mim, bastante.

É assim tão azarada?
R: Há quem às vezes tenha dias não, eu tenho dias sim.



Não gosta de inaugurações. É tímida?
R: Sou miserável em relações humanas, principalmente em acontecimentos formais, só vou às inaugurações pelos salgadinhos.

Gostava de explorar novos materiais? Quais?
R: Interessa-me explorar novos formatos, primeiro murais e depois prédios.

E em relação aos trabalhos que apresenta, é muito crítica?
R: Tenho um pequeno Salazar na cabeça. Há dias em que tudo o que faço é severamente censurado e escondido em gavetas.



Tem conselhos para quem está a começar agora?
R: Não fiques à espera de convites. Vê o que se tem feito, tem boas ideias, desenha muito, inicia os teus próprios projetos. Apaixona-te por aquilo que fazes.

Já começou a dominar o Mundo?
R: Todos os dias um passinho.


Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Eu tento ser metódica mas às vezes o jeito para desenhar não acorda comigo às 9h da manhã.

Tem projetos para um futuro próximo?
R: Fazer exposições, planear fanzines, escrever uma tese e partir corações.


Para além da ilustração, o que mais gosta de fazer?
R: Tenho um consultório sentimental via facebook.

E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Pagar contas.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: 99% dos meus heróis são portugueses mas não vou nomear só um porque todos me inspiram de formas diferentes e quero ser um bocadinho de todos eles quando for grande.


15/03/2012

galeria entrevista Rita Balixa

Esta quinta-feira também é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Rita Balixa.


A Rita nasceu em Lisboa mas vive no Seixal.
Licenciou-se em escultura pela faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa mas sempre praticou e se interessou pelo desenho. Assim que terminou a licenciatura decidiu dedicar-se à ilustração. A sua verdadeira paixão.
Atualmente trabalha exclusivamente como ilustradora freelancer e adora o que faz. Dedica-se sobretudo ao público infantil e é uma ávida consumidora de livros relacionados com este universo. Ilustra crachás, tabletes de chocolate, cria personagens e recentemente ilustrou o livro O Velho, o Rapaz e o Burro para a editora Zero a Oito.
A Rita tem portfólio online e um blogue chamado as coisas dela, que vai atualizando sempre que pode. Confessa que adora passear por blogues alheios e ver as coisas bonitas que os outros fazem.
Trabalha habitualmente em formato digital mas é também uma apaixonada por colagens.

"Não há nada como sentir as texturas do papel, escolher as cores e no fim ter um objeto físico nas mãos, coisa que o digital não permite".

as-coisas-dela.blogspot.com
behance.net/ritabalixa



A sua verdadeira paixão é a ilustração. A escultura ficou arrumada numa gaveta?
R: Sim, a escultura acabou por ficar arrumada numa gaveta. Não que não goste dela mas a ilustração falou sem dúvida mais alto.

Quando é que se começou a interessar pelo universo infantil?
R: Acho que foi mais ou menos aos 18 ou 19 anos, quando uma pessoa começa a crescer e aprende a levar-se menos a sério e deixa de ter vergonha de mostrar o seu lado mais tolinho e infantil. Foi também nessa altura que tive a sorte de apanhar um bom professor de artes que me apresentou o Photoshop e com ele todo um novo mundo de hipóteses para explorar a ilustração.

Quais são as maiores dificuldades que enfrenta uma ilustradora freelancer?
R: As maiores dificuldades são os pagamentos, arranjar bons trabalhos é difícil, mas receber pelos trabalhos que consigo a tempo e horas é uma verdadeira aventura. Existe uma grande falta de confiança da parte de muitas empresas, onde só a ideia de pagar uma percentagem do trabalho antes de estar pronto é quase uma blasfémia.



De todos os trabalhos que já fez, há um preferido?
R: Bom, tenho alguns trabalhos que me deram especial gozo a fazer mas o meu favorito foi mesmo o livro que ilustrei para a editora Zero a Oito, pois vai de encontro ao que eu mais quero fazer no mundo da ilustração, livros infantis. E depois tem também a componente de não ser só uma mão cheia de ilustrações com determinadas características, trata-se de ilustrar uma história, criar uma narrativa, dar-lhe vida e dinâmica, é um grande desafio e um grande gozo todo o trabalho que isso envolve.

A Rita é uma ávida consumidora de livros infantis. Que histórias gostaria de ter ilustrado?
R: Há uma história do Oliver Jeffers chamada "Stuck", muito non sense que conta a história de um rapaz que fica com o seu papagaio de papel preso numa árvore e tenta recuperá-lo de uma forma muito pouco convencional, essa é sem dúvida uma das histórias que gostaria de ter ilustrado.


Ilustrou um livro para a editora Zero a Oito. Como é que surgiu esta oportunidade?
R: Bom, este livro surgiu alguns meses depois de ter contactado a editora para mostrar o meu portfolio e oferecer os meus serviços como ilustradora. Num bonito dia solarengo de Verão fui contactada pela Zero a Oito pois tinham um livro que gostariam de ver ilustrado no meu estilo e gostariam de saber se eu estava interessada e eu mais interessada não podia estar, aceitei o desafio e comecei imediatamente a pensar na história e no que poderia fazer a partir dela.

Normalmente, fica contente com o resultado final dos seus trabalhos?
R: Normalmente só publico trabalhos nos quais estou satisfeita com o resultado final, no entanto essa satisfação é sempre temporária e ao fim de pouco tempo já estou a pensar que se calhar devia ter desenhado de outra maneira ou que podia ter mais volume, ser mais dinâmico... Chego até a refazer alguns deles passados meses ou mesmo anos por gostar da ideia mas já não gostar da concretização.



Quais são os blogues que gosta de visitar?
R: Tantos blogues...vou dizer apenas alguns, se não nunca mais saíamos daqui. Ora, blogues portugueses, gosto muito da  Prateleira de Baixo com a seleção de livros e comentários da Sara Amado, do Borbotos e Barbelas com as ilustrações da Joana Rosa Bragança, do Ilustrana com os trabalhos e reflexões da Ana Oliveira, do Mãe Galinha com as histórias e desabafos da Rita Quintela acerca dos seus quatro filhos e do seu dia-a-dia atribulado. Nos blogues internacionais, posso usar como exemplo o Una flor de papel com as magnificas colagens da Cecilia Afonso Esteves e o Geninne's Art Blog com o lindíssimo trabalho da Geninne. Mas há tantos mais que me inspiram.

Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Tento o mais que posso organizá-los. Não sou nada madrugadora mas costumo compensar trabalhando até tarde, gosto muito do sossego da noite para trabalhar. Sendo freelancer, nem sempre é fácil ter uma agenda super organizada a longo prazo pois podem sempre surgir trabalhos sem aviso prévio e assim sendo tento manter um ritmo compensado nas alturas em que não tenho trabalhos com os meus projetos pessoais. Esforço-me por ter sempre um objectivo, quer seja participar num concurso ou ilustrar um tema qualquer que me surgiu. Desenhar muito dá-me vontade de desenhar mais ainda e assim sendo faço por não estar parada.



Tem projetos para um futuro próximo?
R: Sim, tenho uma história que quero ilustrar e um monte de ideias para o fazer. Tenho-a guardada para os tempos livres e ando muito entusiasmada a esboçar em volta dela.

Para além de desenhar, o que mais gosta de fazer?
R: Gosto muito de ler, de passear, ver exposições, beber cafés em esplanadas simpáticas e conversar, adoro trocar ideias com outras pessoas.


E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Passar a ferro é sem dúvida o meu terror do dia-a-dia.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Para além das pessoas já mencionadas na parte dos blogues inspiradores posso juntar à equipa os membros do Planeta Tangerina, o André da Loba, o André Letria e por aí fora...