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14/07/2012

Xailes de Portugal

Diz-se que o uso do Xaile surgiu na Europa por volta de 1798 por soldados Franceses que fizeram a campanha no Egito. Eram caros e a sua confeção levava cerca de um ano.
Em Portugal entraram lentamente. Primeiro foram utilizados como ornamento da casa e posteriormente começaram a aparecer em bailes envolvendo os ombros das senhoras. A grande difusão em Portugal coincidiu com o desenvolvimento da indústria de tecelagem.


A Xailes de Portugal fica no Porto, comercializa xailes pintados e confecionados à mão desde 1985. São xailes artesanais portugueses e apresentam-se em 3 tamanhos e nas cores branco e preto.

facebook.com/xailesdeportugal.empresa



03/07/2012

galeria entrevista Teresa e Helena Jané

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Teresa e a Helena Jané.


A Teresa e a Helena Jané são irmãs com um ano de diferença. Criam e produzem peças contemporâneas com mensagem. Peças “que contam histórias pessoais ou universais, tristes ou alegres, com horror ao efeito fácil, ao déjá vu, ao brilho vão”.
A Teresa tem o Curso Técnico-profissional de Artes Gráficas e Comunicação da Escola António Arroio, e licenciou-se em Design Visual pelo IADE em 1996. Trabalhou como designer em agências de publicidade.
A Helena licenciou-se em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE em 1995, e tem o Curso de Formação de Formadores de Formadores da Fundação Oliveira Martins. Trabalhou na área da Formação, vertente comportamental.
Em 2002 decidiram arriscar tudo neste projeto: THJané (Handmade Portugal).
Trabalham há cerca de dez anos na conceção e produção manual de peças no âmbito da cerâmica contemporânea, essencialmente jóias e objetos de autor.
Apostam em peças únicas e assinadas, e na elevada qualidade da sua manufatura.

Originalidade, inovação e qualidade é o que as desafia.



Só têm um ano de diferença. Sempre se deram bem?
R: Não, nem sempre. Lembra-se do vídeo da música dos New Order, “True Faith”? Aquele que começa com dois maluquinhos à estalada? Pois bem, passou-se mais ou menos assim, por volta dos 5 ou 6 anos de idade.
Deixámo-nos disso assim que pudemos, até porque morríamos de vergonha perante os nossos irmãos, cinco anos mais velhos. Quanta maturidade e nós naquilo...
Entretanto, vamo-nos mantendo “entre o sol e a sombra”. A Teresa, quase sempre, mais solarenga.

Em 2002 decidiram apostar num projeto próprio. Qual foi a principal motivação?
R: Reduzir a insegurança quanto ao nosso futuro profissional, “antecipar riscos e perigos”.
Nessa altura, pairava sobre todos a já carregada nuvem da crise.
Tornou-se essencial encurtar caminho e acelerar, evitar que a ambição e o tempo nos escapassem.
Condições mínimas reunidas, ala que se fazia tarde. Para onde? Para o mercado nacional. Haverá júri mais exigente na apreciação do trabalho de artistas portugueses?
Em Janeiro de 2002, apresentámos aqueles que viriam a ser os primeiros objetos THJané – uma vasta coleção de puxadores de cerâmica, assente em formas cónicas e motivos orgânicos, projetada ao longo dos últimos 4 meses do ano anterior, com a particularidade (de que muito nos orgulhamos) da rosca «esculpida» na própria cerâmica.



E quais foram as maiores dificuldades?
R: Encontrar «as» parcerias para representação e comercialização dos produtos.
É certo que entrámos no mercado com uma facilidade surpreendente. Até pela nossa inaptidão para angariar contactos em bares e outras festas que, desde logo, inviabilizou o recurso à velha fórmula.
Mas não bastou. Foi fundamental garantir o respeito mútuo por compromissos, investir no conhecimento e clarificação de missões.

Cresceram rodeadas por fotografia, livros e objetos originais. A arte tem estado sempre presente na vossa vida, desde o piano à cerâmica. O que vos deu bagagem, certamente. São muito exigentes com o vosso trabalho?
R: Muito.
Independentemente de referências, talentos ou capacidades, por um lado, há que manter a História presente, por outro, não menosprezar a habilidade dos nossos contemporâneos.
É que não podemos ser «autistas». Na certeza de que haverá sempre alguém que o fará melhor que nós, preferimos acreditar em identidades próprias que primam pela diferença.
Na última feira do livro, em Lisboa, a propósito do seu caderno “Fui para Sul”, perguntei a Agualusa “para quando o próximo livro, acompanhado por ilustrações do autor?”.
Respondeu-me “Há quem faça muito melhor!”. É bem verdade... mas não da mesma forma.
Voltando à sua questão, a exigência tornou-se, para nós, um fator fundamental, que podemos revelar  na construção de conceitos, no detalhe ou no acabamento das peças.

Organizam os dias ou trabalham por instinto?
R: Já lá vai o tempo em que era possível planear a atividade a 4 meses, depender, em exclusivo, de informações e encomendas das lojas.
Atualmente, organizamo-nos ao dia e trabalhamos, cada vez mais, por instinto.
A forte oscilação do mercado obriga-nos a um esforço acrescido em matéria de reprogramação de estratégias. Pior ainda. A Europa tornou-se uma pequena aldeia, em que a galinha do vizinho já não é melhor que a nossa! E agora? [retomamos este assunto numa próxima questão]

E trabalham juntas ou cada uma para seu lado?
R: Meio meio. 
Podemos passar o dia cada uma para seu lado. Mas chega o tempo em que voltamos à discussão, à resolução de problemas e à negociação de consensos. Em seguida, passa-se o testemunho e volta-se ao trabalho individual.



Costumam usar as vossas peças?
R: Sempre que possível.
No caso das jóias, até começou com umas pulseiras que resolvi fazer para mim, sem intenção de as enquadrar no projeto. Alguns meses mais tarde, em 2004, a Dupla Rectângulos viria a ser testada na loja Poeira, em Lisboa, entre puxadores e amostras de decoração de interiores.  
Por hábito, quando usamos as nossas peças, costumamos misturá-las com outros acessórios, mesmo não sendo made in THJané. Aliás, foi o que tentámos sugerir quando apresentámos a gargantilha UING com uma medalha da Nª Sª do Carrapito.

Existe UMA peça especial?
R: O Braille.
Esta peça que mantivemos em estudo durante um ano, foi, originalmente, pensada para outro material, a prata. E consistia apenas na chapa.
O orçamento para a sua execução chegaria demasiado tarde. Voltámos a antecipar-nos e, enquanto exasperávamos pelo dito orçamento, fomos trabalhando uma nova solução. Foi assim que o Braille chegou às lojas poucos dias antes do Dia dos Namorados, no ano de 2006.
É, sem dúvida, a peça mais democrática que alguma vez idealizámos. Acessível no preço, conquistou a generalidade do público e, até hoje, mantém-se à venda no mercado.
Também é a mais controversa. Arte ou crafts? O que quiserem.
Foi adquirido por Robert Duffy, por uma estudante portuguesa de História D'Arte, por responsáveis do MoMA e por todos os outros a quem, desde já, agradecemos a preferência.


Têm projetos para um futuro próximo?
R: Sim.
Hoje, como ontem, esforçamo-nos por levar a tempo inteiro esta nossa atividade. Até aqui, tem sido possível fazê-lo.
Em 2010 valeu-nos retornar com a nossa bijuteria ao mercado (atualmente, é possível encontrar a coleção origens no roteiro de lojas entre a Baixa e o Castelo de São Jorge).
Quanto a novos trabalhos, destacamos a coleção de jóias wearable art, para meados de Outubro. Podemos adiantar que se trata de uma edição limitada, com novas, digo, velhas mensagens, assente em esculturas assinadas pela Teresa. À semelhança da coleção mundus, recorreremos a outras técnicas e materiais para além da cerâmica.



Para além de se dedicarem a este projeto, que outras coisas gostam de fazer?
R: Esta vai por tópicos, sem arrumação:
apanhar plantas no lixo dos outros e trazê-las ao jardim da casa;
IR ao cinema;
passear a pé pela grande Lisboa, se possível, em dias de semana;
sessões de slides e fotografias;
praia
(...)

E, no dia-a-dia, o que menos gostam de fazer?
R: Nada tem de original, mas não há meio de gostarmos do trabalho doméstico. Aspirar, passar a ferro, cozinhar ou fazer supermercado; camas de lavado, casa de banho, limpar o atelier e sei lá mais o quê..... Safa!

Sugiram alguém português que, para ambas, seja inspirador.
R: O Maestro José Atalaya, pela Música e pela divulgação dos músicos. Mais, não esqueçamos o que faz pelo público em geral. É absolutamente incrível.
Lembro-me que durante as sessões de “Música em Diálogo” no São Luiz, a que costumávamos assistir com os nossos pais e irmãos, inexplicavelmente, este Grande senhor conseguia manter-nos presas à cadeira.
Décadas mais tarde, longe de ficar preso à cadeira (chegou mesmo a deitar-se de costas, perninhas no ar), o nosso sobrinho Simão assistiu pela primeira vez a uma destas sessões no Atlântida Cine, em Carcavelos. No final, ficámos com a ideia de que talvez fosse cedo de mais ou que, para estreia, não tivessemos escolhido o programa mais adequado à sua idade (6 anos).
Reza a história que no dia seguinte, a caminho da escola, sem mais nem ontem, se virou e disse “Gostei mais do Carlos Seixas, mãe” (pobre Scarlatti).
E aí vai mais um. Ainda hoje tentamos perceber como é que Atalaya o faz.

29/06/2012

galeria apresenta YOYO

Todas as sextas feiras a galeria portuguesa apresenta uma loja, ideia, grupo, evento, marca ou produto, com uma única regra: Tem que ser nacional!

Hoje, a galeria apresenta a loja YOYO.


Abriu a loja YOYO. Uma loja que comercializa objetos eternos, peças de mobiliário e de iluminação desenhados e produzidos no século XX.
Fica no centro de Lisboa, perto do jardim do Príncipe Real. Neste espaço podemos encontrar uma seleção de objetos de produção nacional, pontuada por peças de origem internacional.
Toque à campainha e veja uma homenagem ao design de mobiliário português.

A YOYO é um projeto da rpvp designers e do Arquiteto Ricardo Paulino.
A rpvp designers é um atelier de design de comunicação fundado em 2002 pelos designers Rui Penedo e Vítor Paulino. Ao longo do seu percurso tem trabalhado em projetos para a Universidade de Lisboa, a Quetzal Editores, a Porto Editora, a Bertrand Livreiros, a União das Misericórdias Portuguesas, a Câmara Municipal de Lisboa e o Ministério da Segurança Social, entre muitos outros.

facebook.com/yoyoobjects



Rua Arco a São Mamede, 87A
1250-027 Lisboa
segunda a sexta: 11h00 - 13h00 e 14h30 - 19h00
sábados: 14h30 - 19h00
encerra domingos e feriados


Algumas peças disponíveis na YOYO:

Cadeira, 1978
Gastão Machado, Móveis Olaio
Cadeira bélgica, 1960
José Espinho, Móveis Olaio
Aparador, Móveis Olaio, 1965
José Espinho, Móveis Olaio
Móvel arquivador de gavetas, 1950
Autor desconhecido
Cadeirão, 1960
Autor desconhecido
Cadeiras, 1970
FAMO

Créditos fotográficos: Mário Ambrózio e Adélia Azedo

14/06/2012

Galeria Surf Leça

A Surf Leça é uma escola de surf e bodyboard onde também se aluga equipamento que fica mesmo em frente à praia.
Neste espaço nasceu uma Galeria pelas mãos da Filipa Costa que herdou do pai o espírito empreendedor, foi ele o fundador e proprietário da primeira loja de surf em Leça.
A Filipa terminou a licenciatura em História de arte e decidiu levar mais longe a cultura do surf, sem esquecer temáticas como o skate, o snowboard e a street art.


Se o Surf é uma realidade de Leça porque não vê-lo de uma forma artística?
Na Galeria Surf Leça pode desfrutar de uma exposição de arte, comprar artesanato urbano e artigos regionais, ao mesmo tempo que aluga uma prancha ou marca uma aula de surf ou bodyboard.
Até 8 de julho está patente a exposição – "It´s All About Surf…by Joaquim Cruz" que reúne 14 obras do artista, realizadas entre 2001 e 2011.


Há mais exposições agendadas e muitos planos para o futuro: realização de workshops, intervenções urbanas, aulas de ioga, sessões de cinema, parcerias com entidades ligadas ao desenvolvimento do turismo e da cultura do surf na região.
O espaço está completamente aberto a novas propostas e disponível para receber portfólios de jovens artistas ligados a temáticas como o surf, o skate e a street art.
A Filipa quer que as pessoas vivam este espaço alternativo que pode ser visitado gratuitamente.

facebook.com/galeriasurfleca

Surf Leça Av. Liberdade, 44
4450 Leça da Palmeira


14/05/2012

galeria apresenta ‘AFFAIRE Jewellery

A ‘AFFAIRE Jewellery é uma jovem marca portuguesa. Uma marca que se dedica à criação de jóias para um segmento com um estilo de vida altamente luxuoso. Procuram surpreender continuamente connoisseurs através de coleções alternativas de look distinto e único.
Combinam a porcelana com materiais preciosos como o ouro, ouro branco e, em algumas coleções, pedras preciosas como os diamantes, aliado a técnicas tradicionais de produção e inovações desenvolvidas pela marca. Cada jóia é única, realizada artesanalmente e dotada de uma excelente qualidade.
Ainda com pouca história de vida, a ‘AFFAIRE Jewellery procura o seu crescimento no mercado, nomeadamente através da sua divulgação não só a nível nacional como a nível internacional.

www.affairejewellery.com
facebook.com/Affaire.Jewellery.of.Desire

Aqui ficam algumas coleções.

Pearls
Uma coleção delicada, onde cada pérola é produzida manualmente e envolvida por um fino fio de ouro. Revisita a elegância e o glamour feminino da década de 20.

Ouro amarelo
porcelana de Limoges

Golden Winter
Um símbolo das flapper’s dos anos 20, o longo colar de pérolas foi o acessório de moda da época, perfeito para inspirar o design da Golden Winter. Decorado com flores douradas meticulosamente pintadas à mão.

Ouro amarelo
Porcelana de Limoges branca
Tinta de ouro

Royal cobalt
Cada pérola azul capta o verdadeiro espírito clássico de uma jóia Belaspekta. Uma jóia de prestígio, trabalhada por mãos experientes e vidrada com uma cor nobre, projetada para uma rainha contemporânea.

Ouro amarelo
porcelana de Limoges azul cobalto

Vintage Noir
Uma declaração forte para uma vida urbana cheia de atitude e sofisticação, com um toque de glamour.

Ouro branco
Porcelana de Limoges preta
Diamantes

Cities of desire
Esta pulseira é composta por cinco peças que correspondem a cinco cidades internacionais diferentes, evocando as capitais da moda no mundo.
Cities of Desire define uma mulher cosmopolita cujo coração está onde está a moda!
Ouro amarelo escovado
porcelana de Limoges


Lojas
Palácio das Artes
Largo de São Domingos nº 19 e 21
4050 - 545 Porto

Palácio de Belém
Praça Afonso de Albuquerque
1349 - 022 Lisboa

Alcino Store
Praça da Liberdade nº25
4000 - 322 Porto

04/05/2012

galeria apresenta Loja da Universidade

Todas as sextas feiras a galeria portuguesa apresenta uma loja, ideia, grupo, evento, marca ou produto, com uma única regra: Tem que ser nacional!

Hoje, apresentamos a Loja da Universidade.

A Loja da Universidade é uma marca detida pela RUIVA, S.A. que nasceu do espírito empreendedor de duas pessoas que pretendiam mudar de vida após 10 anos de trabalho numa empresa multinacional. Decidiram apostar, entre outras coisas, no negócio de Licenciamento Universitário e criaram a marca Loja da Universidade.
O objetivo é oferecer aos alunos universitários, docentes e alumni uma linha de merchandising universitário, Made in Portugal, que irá vender t-shirts, hoodies, zip hoodies, uniformes desportivos e artigos de papelaria. Todos os artigos à venda na Loja da Universidade têm o carimbo da Universidade respetiva, ao bom estilo americano.
A Universidade NOVA já aderiu ao projeto mas a marca pretende assinar contratos de licenciamento com outras Universidades, investindo sozinha no branding, design, produção, marketing e distribuição da nova marca, e pagando royalties à Universidade por cada artigo vendido. Os royalties ganhos pelas Universidades tornam-se assim numa forma criativa de angariar financiamento para bolsas de estudo, serviços de ação social, num projecto com investimento zero por parte da Universidade.


A Loja da Universidade aposta e acredita no trabalho produzido em Portugal para a criação dos seus artigos de merchandising: acredita na capacidade dos jovens designers portugueses para o desenho das suas coleções, assim como nos pequenos produtores e nas suas fábricas de confeção têxtil. Acima de tudo, a Loja da Universidade apoia a produção nacional em todas as suas vertentes, desde a capacidade criativa à produção e distribuição.

www.lojadauniversidade.com
facebook.com/lojadauniversidade


01/05/2012

galeria entrevista Rosa Pomar

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Rosa Pomar.


Foi sobre a Rosa que escrevi o primeiro post da galeria portuguesa. Não foi por acaso. É verdadeiramente inspirada e inspiradora. Leiam a entrevista.

Nasceu em 1975, tem duas filhas e mora em Lisboa.
Não terminou a tese de mestrado em História Medieval que estava a preparar enquanto estudava Ilustração no Ar.Co mas não desistiu de voltar a ela um dia.
Trabalha muitas horas por dia mas não sabe o que responder quando lhe perguntam que profissão tem. "Mãe blogger que faz bonecos e outras coisas de pano" seria o mais acertado.
Foi bus-lady de um colégio chique e bolseira de investigação científica, deu aulas e fez produção de exposições.
Viveu dois anos no campo e três meses em Nova Iorque, foi aqui que nasceu o seu blogue, em 2001, chamado @ny que mais tarde passou a chamar-se A Ervilha Cor de Rosa.
Desde que se lembra que gosta de coser, tricotar, bordar e tecer. Os bonecos nasceram em 2004, depois da maternidade. Partilhou no seu blogue o primeiro boneco, e o segundo, e o terceiro, e recebeu emails e comentários de incentivo que mudaram a sua vida. Não há dois bonecos iguais. Cada um é decorado à mão com veludo de lã e galões bordados antigos que coleciona há muitos anos, e todos têm uma etiqueta de pano única e numerada.
Depois dos bonecos apareceram as mantas, sacos, pires de pano e muitas outras coisas, como por exemplo os slings (porta-bebés) que nasceram com a sua filha mais nova. Fez um e depois outro e em pouco tempo estava a receber encomendas. Todos os slings são reversíveis e distinguem-se pelos tecidos que usa – sobretudo tecidos tipicamente portugueses, tecidos africanos e alguns outros, escolhidos a dedo, de que gosta particularmente.
Seguiu-se a retrosaria on-line e depois a loja própria. A Retrosaria está na Rua do Loreto, 61 - 2.º Dto, em Lisboa, de Terça a Sábado das 10 às 19h.
A Rosa continua a investigar a cultura popular e publica posts sobre a história têxtil. Nos Açores nasceu a Lã em tempo real, um projeto a ganhar forma no cruzamento do seu trabalho com o do realizador Tiago Pereira.

aervilhacorderosa.com
retrosaria.rosapomar.com
rosapomar.com


Começou o seu blogue em 2001. Com que propósito é que o criou?
R: Em 2001 o universo dos blogs era totalmente diferente do que é hoje. Tinha uma página pessoal associada ao meu primeiro site, o Páginas de História, e cada vez que queria atualizar essa página tinha de re-editar o código html. Quando descobri essa coisa nova chamada blog quis logo experimentar. Isso coincidiu com uma estadia de alguns meses em Nova Iorque, pelo que o blog começou por funcionar como um diário de viagem.


Em que altura é que percebeu que tinha uma legião de fãs a segui-la?
R. Bem, legião não sei se diria... A Ervilha Cor de Rosa começou a ter bastante visibilidade a partir de 2004, quando comecei a vender os primeiros bonecos de pano. Isso coincidiu com o primeiro boom da blogosfera em Portugal.

A verdade é que inspirou muita gente a descobrir os seus talentos e a trabalhar de casa. Sente-se orgulhosa?
R: É sempre bom encontrar posts alheios que dizem comecei o meu blog depois de ter visto a Ervilha Cor de Rosa. Sobretudo quando quem escreve não só assume essa inspiração como desenvolveu um trabalho com identidade própria. Sei que há uma espécie de geração de bloggers que de certa forma nasceram da Ervilha Cor de Rosa, da mesma forma que eu tive a Mariana Newlands ou a Claire Robertson como referências iniciais. É como se o blog tivesse sido em grande medida a porta de entrada do fenómeno dos crafts em Portugal, fenómeno esse que depois ganhou autonomia, claro, e mil e uma ramificações, da multiplicação de mercados do chamado artesanato urbano ao saudável reflorescer das pequenas retrosarias um pouco por todo o país.


Os seus bonecos, chamam-se só bonecos. Nunca lhes deu um nome. Porquê?
R: Sempre achei que era condicioná-los demasiado à partida. Os bonecos que me atraem mais, sejam tradicionais ou industriais, são sempre os mais simples, sem expressões ou feições muito marcadas, aos quais é possível atribuir durante a brincadeira diferentes personalidades ou estados de espírito.

A Rosa é provavelmente uma das pessoas mais plagiadas da blogosfera. isso incomoda-a?
R: Claro. Com o tempo fui percebendo que a maioria das pessoas que o faziam tinham um perfil semelhante: eram pessoas com muito pouca ou nenhuma experiência, pouquíssimas referências e, naturalmente, nenhum sentido de ética. Em geral as situações evoluíam de uma de duas maneiras possíveis: ou desistiam porque fazer bem dá efectivamente trabalho e porque os plágios são facilmente reconhecíveis (a net é este pau de dois bicos, em que, por um lado, as pessoas estão muito vulneráveis a serem copiadas mas, por outro, quem copia é facilmente denunciado), ou o trabalho acabava por um salto qualitativo: da cópia ou inspiração abusiva várias pessoas evoluíram positivamente para um trabalho com personalidade própria. Hoje em dia aborreço-me sobretudo com as pessoas que constroem percursos decalcados de ideias e conceitos que vão buscar à Ervilha Cor de Rosa, mas a minha atitude continua a ser a mesma: antes ser copiado do que copiar. Por outro lado, há situações em que a cópia se torna tendência e que isso tem um lado curioso ou mesmo positivo, como aconteceu por exemplo com as séries de fotografias de mosaico hidráulico (e também azulejo) que fui publicando ao longo dos anos no blog. Estas imagens, que foram sendo destacadas em vários sites nacionais e estrangeiros, funcionaram como uma espécie de meme e foi-se tornando cada vez mais comum encontrar fotografias tiradas da mesma forma, com o mesmo ângulo e pormenores, em diversos blogs. O lado mais positivo disto prende-se com o feedback que tenho recebido de várias pessoas que nunca tinham reparado ou valorizado este tipo de pavimento e passaram a olhar para ele de outra maneira, preservando ou restaurando o das suas casas em vez de o substituírem.


Mostra muitas vezes coisas antigas que tem guardadas. É daquelas pessoas que guarda tudo?
R: Já fui muito mais. Às vezes fotografar as coisas permite-me libertar-me delas e ficar só com as imagens. Mas é verdade que tenho uma quantidade de tecidos antigos acumulada maior do que é verosímil que venha a conseguir coser nos próximos tempos.


Continua a querer voltar à História Medieval ou já faz parte do passado?
R: Não creio que volte a fazer investigação concretamente em História Medieval, mas as ferramentas e conhecimento que trouxe dos anos que dediquei à investigação em História sempre me foram úteis e ainda mais nos últimos anos, em que me tenho dedicado cada vez mais ao levantamento e estudo das práticas tradicionais em torno dos têxteis portugueses.


Estudou ilustração. Gostava de fazer ilustrações de livros infantis?
R: Já há muitos anos que não me ocorre fazê-lo, mas houve uma altura em que pensava nisso. Julgo que nunca seria uma ilustradora mesmo mesmo boa, por isso prefiro apreciar o trabalho dos que o são.


O seu trabalho é apreciado e elogiado em todo o lado. E já conseguiu conquistar muita coisa. Ainda vibra com pequenas vitórias profissionais?
R: Claro! Quando deixar de vibrar é sinal de que tenho de mudar de ramo. Nunca trabalhei senão no que gosto e faço questão de que continue sempre a ser assim.

Vem de uma família de "mãos de fada". As suas filhas também lhe seguem as pisadas?
R: A minha filha mais velha adora coser à máquina. Aprendeu com sete anos, num dia de férias em que a "abandonei" com a máquina e um cesto de retalhos depois de uns minutos em que lhe expliquei basicamente o que é que tinha de fazer para garantir que não se magoava. A mais nova passou o ano a fazer tricot com os dedos... As crianças absorvem sempre com facilidade aquilo que as rodeia, como eu aprendi com as pessoas à minha volta. Se esse interesse se mantém ou desvanece é que nunca se pode prever.



A Rosa faz mil e uma coisas. Em casa descontrai ou está sempre a trabalhar?
R: Muitas vezes descontraio a trabalhar. O que é cansativo são as obrigações, burocracias e tarefas repetitivas, não o trabalho criativo ou a concretização de um projeto que se quer levar a bom porto.

Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: O trabalho da Retrosaria exige organização, mas em geral trabalho avançando com os projetos que tenho em curso consoante a minha motivação, sem pensar se é domingo ou terça-feira.



Tem projetos para um futuro próximo?
R: O mais premente neste momento é a conclusão de um livro sobre história e técnica das malhas em Portugal, que estou a escrever.

Para além da sua atividade profissional, o que mais gosta de fazer?
R: A maior parte das coisas enquadram-se mais ou menos diretamente no que considero que é o meu trabalho. Vou daqui a uns dias para Miranda do Douro acompanhar um workshop organizado por uma associação local dedicado ao ciclo da lã. Vão ser dias de trabalho intenso a fazer o que mais gosto, não se pode pedir mais.

E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R. Resolver problemas burocráticos e gastar tempo com tarefas domésticas.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Tiago Pereira.


25/04/2012

galeria apresenta MURMUR

A MURMUR é design português. uma marca com loja e atelier de design a cargo da designer Ana Ribeiro, um projecto que nasceu na cidade do Porto em fevereiro de 2007, na Foz Velha na Esplanada do Castelo 41.
Na MURMUR encontramos objetos de decoração, iluminação, mobiliário de interior e exterior, tapetes, tecidos, arte.
Fazem projetos e design de interiores de espaços públicos e privados, produção, distribuição, consultoria e coordenação de projetos de interiores.
A loja e atelier da MURMUR está a cargo de Ana Ribeiro, este é o projeto que há muito queria ver realizado, dar um espaço próprio ao seu trabalho como designer de mobiliário.




Luz, conforto, identidade e elegância são alguns dos elementos que considera como alicerces deste projeto.
Na sua loja expõe o seu trabalho de co-autoria no grupo ARPMV Design, assim como peças suas e de outras marcas selecionadas.
O objetivo é promover o design nacional, fazer da MURMUR uma referência no panorama do design e das artes em geral, contribuindo para um Portugal contemporâneo.

www.murmur.pt
murmurdesigninteriores.blogspot.pt
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