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30/06/2012

Avesso


O AVESSO é um café, bar e galeria que fica no centro histórico da cidade de Esposende. É um espaço novo mas com as características originais da casa centenária onde está integrado. De desenho minimalista mas sem esquecer as referências à tradição portuguesa.
O Avesso tem um ambiente descomprometido com gastronomia variada. A cozinha é internacional, com ênfase para a portuguesa e vegetariana.



Cruzam artes plásticas, com música, design e gastronomia, através de exposições regulares e de música ao vivo. É um espaço de promoção de cultura e de novos artistas. No Avesso também se lê, há jornais e livros à disposição.
Heymikel, Lord Mantraste, Artur Escarlate, Tiago Lourenço, Mariana, a Miserável, Cátia Vidinhas, Maria Pepita, Wasted Rita, Joana Rosa Bragança, Marta Madureira, Ralg e, claro, o artista residente Anoik, são alguns dos nomes que já se viraram do Avesso!




Hoje, e para acabar bem o mês, há mais uma exposição a não perder:
Ilustre Ilustração 10 - Júlio Dolbeth Illustration vs Anoik.

Rua Senhora da Saúde, 36
4740-289 Esposende

avesso36.blogs.sapo.pt
facebook.com/Avesso36

26/04/2012

galeria entrevista Joana Rosa Bragança

Hoje é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Joana Rosa Bragança.


A Joana nasceu em Sagres em 1986 mas vive e trabalha entre Olhão e Lisboa.
Fez a licenciatura em Artes Visuais na Universidade de Évora e o mestrado de ilustração artística no ISEC/UE. Ainda passou pelo Ar.Co, Oficina de Cego e Universidade de Évora em workshops de complemento.
É artista plástica e ilustradora, gosta de representar pessoas e bichos (especialmente gatos e cães) e não tem a preocupação de os tornar bonitinhos e fofinhos. Desenha senhoras gordas e homens com bigodes tremelicantes, crianças com rugas e anafadas mas que têm uma beleza própria, quase crítica e não deixam ninguém indiferente. Gosta de se aventurar a três dimensões e por isso as personagens saltaram do papel e deram origem a bonecos, com bigodes e tudo!
As suas ilustrações, desenhos e gravuras já marcaram presença em várias exposições coletivas e individuais.
Em 2008 participou no livro Cabeça de Ferro e em 2009 ilustrou No Reino do Rei Rufino da Soregra Editores. Em 2011 participou no The Morran Book Project do Studio Morran e ilustrou O Pequeno Super Homem da Letras & Coisas. Fez também um livro chamado PLIM, uma edição caseira sobre a balbúrdia dos tempos modernos e foi convidada de Natal da Retrosaria.
A Joana mostra o seu trabalho no blogue borbotos e barbelas mas também tem um site todo arrumadinho por temas e outro blogue dedicado ao gato Tobias.

borbotosebarbelas.blogspot.pt
joanarosab.com
facebook
flickr
etsy
o-tobias.blogspot.pt




A Ilustração é a sua paixão?
R: A minha paixão é criar, desenhar, pintar... ilustrar acaba por ser uma consequência deste amor. Na maioria das vezes, quando crio não estou propriamente a ilustrar um texto nem nada em concreto, estou simplesmente a fazer e a pensar em liberdade.

E de onde vem a inspiração?
R: A inspiração chega de quase todo o lado! Às vezes vem de dentro, outras vezes vem de fora. Inspira-me a infância, algumas situações estranhas que me vêm ao pensamento e também frases que ouvi algures; a proximidade do mar e do campo, os animais em geral, as pessoas genuínas que vivem nas redondezas da minha pequena cidade — especialmente os pescadores e os seus peculiares cães — as lendas locais, a natureza, mas também a literatura e a música. Sentir-me bem num lugar é essencial para a inspiração fluir.




Prefere ilustrar livremente ou ter um tema ou um texto, no caso dos livros infantis?
R: Prefiro ilustrar livremente! Mas de vez em quando também me agrada ter um tema ou um texto, pois é algo que também gosto de fazer.

O PLIM, é um projeto de autor. Chegou a procurar editoras ou a ideia era mesmo fazer uma edição caseira?
R: A ideia inicial foi fazer uma edição caseira e é assim que tem sido até agora. Mas publicar o PLIM seria algo que gostaria de tentar concretizar.




Os bonecos e bonecas, como surgiram?
R: Sempre gostei muito da tridimensionalidade e da possibilidade de dar outra vida aos personagens que invento. Os meus bonecos estão profundamente ligados aos meus desenhos. Apesar de gostar de escultura em barro e em madeira, os tecidos abrem outras possibilidades que me atraem muito. E se forem antigos melhor ainda, porque já trazem com eles uma história e isso é uma inspiração suplementar! Sei pouco de costura, vou aprendendo por tentativa e erro, utilizo os tecidos como se fossem outro material qualquer. O que procuro não é uma peça perfeita mas sim algo único e vibrante de personalidade. Eu construo-os como quem faz uma escultura, de forma livre e sem moldes, a pouco e pouco, até começarem a ganhar vida própria — a partir daí são eles que me dizem quem são e do que precisam para ficarem completos!

E os bigodes?
R: São simplesmente divertidos e uma fonte inesgotável de variedade capilar (e de ideias!)



É difícil ser ilustradora em Portugal?
R: Ainda não sei bem, mas parece-me que não é assim tão fácil. Como vivo fora dos grandes "centros" sou capaz de ter uma opinião ligeiramente desfasada da maioria. Mas acredito que seja possível, há que insistir para se fazer aquilo que se gosta, onde se gosta!

A Joana também gosta de fotografia. Teve alguma formação ou é autodidata?
R: Sou totalmente autodidata. O momento em que descobri a máquina antiga do meu pai e espreitei através do seu visor brilhante foi mágico, um mundo novo apareceu à frente dos meus olhos! Coisa que nunca me tinha acontecido com as máquinas digitais. É algo misterioso que não consigo explicar...

Anda sempre com a máquina fotográfica?
R: Sim, especialmente quando sei que vou andar a passear a céu aberto.
Porquê um blogue dedicado a um gato?
R: Eu adoro gatos! Tenho gatos quase desde que nasci e fotografá-los é algo a que não consigo resistir. Resolvi criar um blogue para partilhar essas imagens com os amigos e outros amantes de gatos.


Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Normalmente trabalho por instinto, mas quando o trabalho é muito ou há várias coisas em simultâneo para serem feitas a coisa complica-se, e aí o instinto não serve de ajuda, sou obrigada a organizar-me!

Tem projetos para um futuro próximo?
R: Tenho vários, gostava de fazer outras exposições, aqui no sul inclusive; criar um livro de raíz com texto e ilustrações da minha autoria; voltar a fazer gravura e iniciar-me na serigrafia.



Para além das artes plásticas e da ilustração, o que mais gosta de fazer?
R: Ler. Gosto muito de ler. Gosto de viajar e fazer passeios ao ar livre, adoro mexer na terra, plantar coisas e tratar das minhas flores e suculentas.

E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: É penoso quando tenho de passar muito tempo a olhar para o computador por causa de algum trabalho ou algo do género.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: Existem muitas pessoas a fazer coisas que admiro nas mais variadas áreas, acho que seria uma lista demasiado comprida! Como não quero esquecer-me de ninguém e custa-me mencionar só um, talvez seja melhor nem começar...

10/04/2012

galeria entrevista Mariana, a Miserável

Terça-feira é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre a Mariana, a Miserável.


Mariana, a Miserável, porque é mais fixe que Mariana Santos e porque é uma azarada! Na verdade, o nome vem de uma fanzine que fez há uns anos e decidiu adotá-lo.
Não gosta de biografias mas vale a pena ler a que tem no seu blogue:
Quando era pequena queria ser florista, mas cedo tomou a liberdade de seguir uma vida de "miséria, fossa e rock 'n' roll". Tem feito parte de bizarros triângulos amorosos e de coisas ainda mais quadradas, e quando não acha que é deus, ... acredita que este é um senhor divorciado que não ouve bem. A um passo da queda e a outro do casamento por conveniência, vendeu o seu coração numa loja de souvenirs para pagar a conta da água.
Um dia (talvez uma noite), descobriu que gostava de desenhar coisas estranhas – de desconstruir o mundo para construir outros, não necessariamente melhores, mas que aos seus olhos fizessem mais sentido.
Na origem de tudo o que faz está uma grande compota de estórias de si própria vista à lupa, da vizinha do lado, de gente má como as cobras, de flores que não se cheiram, de amor, de desamor, de despedidas, de bizarrias, de desassossegos, de animais raros ou inexistentes, de finais infelizes ou de finais apenas, de cárdio citologias (seja lá isso o que for) e de homens feios, porcos e maus.
Depois, sentindo que devia partilhar as suas intimidades gráficas com alguém para além da mãe, de opinião sempre suspeita, optou por fazê-lo num blog, onde é visitada por umas quantas pessoas de "mau gosto" e por outras que o fazem por obrigação.
Começou recentemente a comercializar e publicar as suas criações e acredita que mais cedo ou mais tarde vai dominar o mundo.


marianaamiseravel.blogspot.pt
marianaamiseravel.com
flickr.com/photos/marianaamiseravel
society6.com/Marianaamiseravel
facebook


Diz que não sabe desenhar mas entrou no mundo da ilustração. Como?
R: Eu tinha coisas para dizer mas nunca tive jeito para as palavras.

Chora-se muito nas suas ilustrações. Até os gatos choram. Porquê?
R: Obviamente porque acabaram de picar cebola.



Mas a Mariana tem um sentido de humor bem apurado. Deve gostar de rir...
R: De mim, bastante.

É assim tão azarada?
R: Há quem às vezes tenha dias não, eu tenho dias sim.



Não gosta de inaugurações. É tímida?
R: Sou miserável em relações humanas, principalmente em acontecimentos formais, só vou às inaugurações pelos salgadinhos.

Gostava de explorar novos materiais? Quais?
R: Interessa-me explorar novos formatos, primeiro murais e depois prédios.

E em relação aos trabalhos que apresenta, é muito crítica?
R: Tenho um pequeno Salazar na cabeça. Há dias em que tudo o que faço é severamente censurado e escondido em gavetas.



Tem conselhos para quem está a começar agora?
R: Não fiques à espera de convites. Vê o que se tem feito, tem boas ideias, desenha muito, inicia os teus próprios projetos. Apaixona-te por aquilo que fazes.

Já começou a dominar o Mundo?
R: Todos os dias um passinho.


Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Eu tento ser metódica mas às vezes o jeito para desenhar não acorda comigo às 9h da manhã.

Tem projetos para um futuro próximo?
R: Fazer exposições, planear fanzines, escrever uma tese e partir corações.


Para além da ilustração, o que mais gosta de fazer?
R: Tenho um consultório sentimental via facebook.

E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Pagar contas.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: 99% dos meus heróis são portugueses mas não vou nomear só um porque todos me inspiram de formas diferentes e quero ser um bocadinho de todos eles quando for grande.


29/03/2012

galeria entrevista Bernardo Carvalho

Quinta-feira também é dia de entrevista na galeria portuguesa.
Saiba um pouco mais sobre o Bernardo Carvalho.


O Bernardo nasceu em Lisboa, em 1973. Estudou Design Gráfico na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e fez o curso de Desenho da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
Mesmo quando ainda não sabia ler já era fascinado por histórias aos quadradinhos, pelas perspetivas e enquadramentos.
É Ilustrador e editor de livros para crianças. É um dos fundadores da editora Planeta Tangerina (que este ano foi candidata ao prémio ALMA) e amante do surf e de praia.
Assume-se como profundamente ligado aos universos da banda desenhada e da fotografia e completamente obcecado por desenhar.
Não gosta de ser repetitivo nas suas ilustrações e por isso não se prende aos mesmos materiais.
O seu trabalho tem sido reconhecido sistematicamente por prémios de todos os lados. Até da Coreia e da Venezuela.
O Bernardo foi o protagonista da terceira edição do programa Bologna a testa in su. Anualmente, um ilustrador de renome é convidado a conceber a sua visão desenhada da cidade, seguindo a filosofia de um projeto editorial dirigido tanto a adultos como a crianças. Os originais foram reunidos em exposição individual. Parabéns!

O Bernardo foi também o entrevistado mais rápido a responder até agora!

planetatangerina.com




O Planeta Tangerina faz livros para crianças mas também para adultos que gostam de álbuns ilustrados. O Bernardo quando começa a ilustrar um livro pensa nas crianças ou nos adultos?
R: Penso em fazer um livro giro para todos, mas às vezes ficam um bocado infantis e às vezes um bocado adultos.

Diz que quando acaba um livro já está farto dele e muitas vezes já não gosta das ilustrações. É muito crítico em relação ao seu trabalho?
R: É dificil de manter o discernimento e a capacidade de julgamento das coisas que faço depois de olhar muito para elas.

E quando vê um livro seu impresso pela primeira vez, que tipo de coisas lhe chamam a atenção?
R: Os defeitos, claro.





O Mundo num segundo ainda é o livro que mais gosta? Ou é o Praia-Mar?
R: O Mundo num segundo foi um livro que pela maneira como foi inventado (a meias com toda a gente no planeta) me deu um grande gozo de fazer. Adoro o assunto e a maneira como está contado. Ao nível do desenho não arrisquei  nem inventei nada mas sempre queria ter feito um livro assim meio ao estilo da BD mas sem ser BD. O Praia-Mar também gosto, ainda... ou já, não sei bem.

Teve direito a uma exposição individual em Bolonha, este convite surpreendeu-o? E como foi a experiência?
R: Sim surpreendeu. Com tanta gente a fazer coisas tão fixes, acho sempre incrível que alguém me peça para fazer desenhos para um livro. A experiência foi muito gira. Passei uma semana a passear em Bologna debaixo do maior nevão dos últimos 30 anos. Foi demais.



Se não fosse ilustrador o que seria?
R: Fotógrafo de casamentos desempregado e agricultor.

Organiza os seus dias ou trabalha por instinto?
R: Tenho de me organizar para não perder os melhores dias de ondas!
Tem projetos para um futuro próximo?
R: Estou a fazer ilustrações para um texto mais para teenagers, (que é um espetáculo) da Ana Pessoa, vencedora do prémio Branquinho da Fonseca, da Gulbenkian. Espero não assassinar o livro com os meus desenhos. Também gostava de concorrer a um festival de curtas metragens que vai haver em Lisboa.

Para além de desenhar e de fazer surf, o que mais gosta de fazer?
R: Acampar, ficar em hoteis, viajar, fotografar, plantar legumes, passear, comer, dormir, namorar, filmar, sair à noite, cinema, amigos, vinho tinto e mais 3794 coisas.




E, no dia-a-dia, o que menos gosta de fazer?
R: Responder a mails e apanhar trânsito.

Sugira alguém português que, para si, seja inspirador.
R: É uma lista interminável e nunca mais saíamos daqui. Desde desenhadores a fotógrafos a surfistas e agricultores. Há muita gente a fazer coisas muito giras.


Quem quiser conhecer o Bernardo, não pode perder no próximo sábado, dia 31, o lançamento de dois novos livros do Planeta Tangerina: Ir e Vir e Nunca Vi uma Bicicleta e Os Patos Não Me Largam (com direito a rifas e tudo).